Desporto | 17-02-2026 15:00

Criação de SAD do Fazendense usada para burlar investidor de Inglaterra

Criação de SAD do Fazendense usada para burlar investidor de Inglaterra
António Botas Moreira, presidente do Fazendense, de Fazendas de Almeirim, arrastado sem saber para esquema de burla de um agente de jogadores - foto arquivo O MIRANTE

Um empresário desportivo português é acusado de usar a criação da Sociedade Anónima Desportiva da Associação Desportiva Fazendense, de Fazendas de Almeirim, para burlar um investidor de Inglaterra, dono de uma empresa de gestão de futebolistas com sede na Costa do Marfim.

O esquema envolve um empresário desportivo português nascido no Congo, acusado de burla qualificada, e um empresário de Manchester (Inglaterra) director-geral de uma empresa sedeada na Costa do Marfim do ramo de gestão de carreiras de atletas, que é a vítima. A Associação Desportiva Fazendense, do concelho de Almeirim, e o seu presidente António Botas Moreira, foram arrastados para a artimanha que o Ministério Público de Santarém diz ter sido engendrada por Eurico Teixeira, que detém uma empresa de assessoria desportiva a clubes e atletas profissionais de futebol, fazendo também negócios de representação e consultadoria.
Os dois empresários conheceram-se em 2014 num evento para agentes de jogadores que decorreu em Lisboa. Sete anos depois o empresário residente em Inglaterra, Severin Bohui, contacta o empresário residente na zona da grande Lisboa a mostrar interesse em investir num clube português, tendo este indicado o clube de Fazendas de Almeirim, dizendo que era da sua confiança e que conhecia o presidente há alguns anos. No dia 25 de Abril de 2021 o empresário português dá conta que o custo de criação da SAD (Sociedade Anónima Desportiva) do Fazendense custaria cerca de 150 mil euros e que tinha de ser feito um adiantamento de 30 mil euros para garantir a compra do clube.
Segundo a investigação, Eurico Teixeira elaborou então um plano para se apoderar do dinheiro que o investidor metesse no clube, bem como ficar com as acções dele quando a SAD fosse criada. Refere o Ministério Público que Eurico Teixeira convenceu o empresário de Manchester a ser o intermediário de todos os contactos e negociações, por razões linguísticas, já que o presidente do clube apenas fala português, bem como pela distância. Conseguiu ainda que o investidor aceitasse que as transferências bancárias fossem feitas para a conta da sua empresa.
Durante o processo houve várias trocas de correspondência por correio electrónico, sendo que num dos e-mails constava as condições, em que o investidor ficaria com 80% das acções da SAD e as restantes seriam da Associação Desportiva Fazendense. O empresário português enviou também um protocolo com os termos dos pagamentos, em três fases, sendo que os dois primeiros pagamentos decorriam no ano de 2022 e o terceiro até final de Junho de 2023.
O arguido ainda em 2021 comunicou ao empresário de Inglaterra que havia necessidade de antecipar a criação da SAD, alegando que ia entrar em vigor uma lei que criava uma entidade fiscalizadora de verificação da idoneidade e de eventuais conflitos de interesses dos investidores. Em Novembro desse ano foi marcado um encontro que tinha em vista a realização da escritura em Santarém, mas a constituição da sociedade não se concretizou, segundo o Ministério Público, porque a notária não compareceu. Aproveitando a situação, Eurico Teixeira conseguiu que Severin Bohui lhe passasse uma procuração com poderes para o representar na constituição da sociedade.
A escritura acabou e os estatutos da SAD foram feitos sem conhecimento prévio do gestor de carreiras. O empresário português veio depois justificar que tinha subscrito 160 mil acções em seu nome porque o investidor não tinha um número de contribuinte (NIF) português. Para contornar a situação e passar as acções para Severin Bohui exigiu mais 110 mil euros, sendo que este acabou por obter o NIF pelos seus próprios meios, queixando-se que o arguido não fez a transferência das acções nem devolveu o dinheiro que lhe tinha sido transferido, acumulando um prejuízo de 164 mil euros.

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