Do berço para o tatami: gémeos de Tomar sagram-se campeão e vice-campeão nacional de judo
Afonso e Guilherme Reis têm 17 anos e conquistaram recentemente os títulos de campeão e vice-campeão nacional de judo no escalão de juniores. Irmãos gémeos, partilham treinos, ambições e uma rivalidade saudável que os tem levado a evoluir na modalidade.
Afonso e Guilherme Reis cresceram juntos dentro e fora do tatami. Naturais de Ferreira do Zêzere, viveram naquele concelho até aos nove anos, altura em que se mudaram para Tomar, onde hoje têm a maior parte das amizades e onde construíram grande parte do seu percurso desportivo. Recordam a infância como um período feliz e cheio de energia. “Tivemos uma infância muito feliz, marcada por muitas traquinices. Éramos bastante reguilas e, nesse aspecto, o judo foi fundamental na nossa educação, porque nos deu rigor e disciplina. Mudou-nos completamente”, contam a O MIRANTE.
Antes do judo ainda passaram pelo futebol durante cerca de dois anos, mas acabaram por abandonar a modalidade. A mudança para Tomar, após o divórcio dos pais, acabou por ser o ponto de viragem. Foi por iniciativa da mãe que experimentaram o judo. “Não foi amor à primeira vista, mas com o tempo fomos ganhando gosto e hoje faz completamente parte da nossa vida”, afirmam. Serem irmãos gémeos, companheiros de treino e, ao mesmo tempo, rivais em competição, tornou a relação entre ambos ainda mais forte. Guilherme reconhece que o irmão é um dos grandes motores da sua motivação. “Temos uma relação muito saudável e de grande cumplicidade. Claro que temos algumas disputas, como todos os irmãos, mas o Afonso faz com que eu seja mais ambicioso e competitivo. Ele eleva-me e faz-me querer ter melhores resultados. Talvez, se não fosse por ele, já tivesse desistido da modalidade”, admite.
Afonso partilha da mesma visão. “Ter um irmão gémeo como colega e rival é diferente de qualquer outra relação no desporto. Competimos entre nós, mas sempre com o objectivo de ajudar o outro a melhorar. Se não fosse pelo Guilherme, também não teria os resultados que tenho alcançado”, afirma. Apesar da exigência dos treinos e das competições, os dois garantem que sempre conseguiram conciliar o desporto com os estudos. Aliás, consideram que o judo contribuiu para melhorar o seu desempenho escolar. “Desde que começámos a praticar judo tivemos uma evolução positiva a nível académico. Como começámos cedo, habituámo-nos também cedo a gerir o tempo e a definir prioridades. O judo deu-nos rigor e disciplina, o que nos ajuda muito na vida pessoal e nos estudos”, explicam.
O apoio da família tem sido outro factor determinante no percurso dos jovens atletas. “Temos uma boa relação com os nossos pais e eles apoiam-nos muito, tanto a nível académico como desportivo. São uma presença constante e sem eles não estaríamos onde estamos hoje”, reconhecem. Apesar dos resultados alcançados, Afonso e Guilherme não encaram o judo apenas como um passatempo, embora tenham consciência de que o futuro pode seguir outros caminhos profissionais. No percurso desportivo, têm também a oportunidade de treinar com a judoca olímpica Patrícia Sampaio, uma experiência que consideram inspiradora. “A mentalidade vencedora da Patrícia é algo que aspiramos ter. Treinar com ela permite-nos aprender muito. É um exemplo no judo e na vida e a sua capacidade de superação é admirável”, referem.
Fora do tatami, cada um cultiva também os seus interesses pessoais. Guilherme revela ser apaixonado por cinema, especialmente por filmes do género thriller, e tem também interesse pelo ciclismo. Já Afonso diz que a música ocupa grande parte do seu tempo livre. Quanto ao futuro, ambos têm ideias definidas. Guilherme pretende seguir Imagem Médica e Radioterapia na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa e integrar o Centro de Alto Rendimento do Jamor para continuar a evoluir como atleta. Afonso quer estudar Economia na Universidade de Lisboa e também frequentar o mesmo centro de treino.


