O clube que há cinco anos descobre talentos e transforma vidas em Arruda dos Vinhos
Em apenas cinco anos, o Oeste Clube de Ginástica tornou-se um pólo de excelência e inclusão para mais de 200 jovens atletas que são apaixonados pela ginástica acrobática. Com atletas dos vários concelhos da região, sobretudo Vila Franca de Xira e Arruda dos Vinhos, o clube alia treino técnico, disciplina e valores humanos, promovendo felicidade, união e resiliência.
Em apenas cinco anos, o Oeste Clube de Ginástica (OCG), focado na ginástica acrobática, passou de uma pequena associação criada por cinco apaixonados pela modalidade, para uma casa que já tem em actividade mais de duzentos atletas, nove treinadores, ocupa dois pavilhões diferentes em Arruda dos Vinhos e já sonha com instalações próprias. É um clube que forma campeões e não apenas no sentido competitivo, mas também na vida, confessa o presidente da direcção, Samuel Asseiceiro, natural de Alhandra. “Estamos a formar as crianças para que, sobretudo, sejam mais felizes. Estarem aqui dá-lhes um espírito de união e percebem que só unidas conseguem chegar mais longe”, refere Samuel Asseiceiro, que preside à direcção desde a fundação do clube.
Samuel Asseiceiro é de Alhandra mas vive actualmente em Arruda dos Vinhos. Ele e mais quatro fundadores, onde se incluem as treinadoras Alda Silva, Cátia Messias, Leana Asseiceiro e Bruno Asseiceiro, decidiram criar o clube por sentirem que o mercado não oferecia opções de ginástica acrobática com os valores que consideravam essenciais no desporto: humildade, inclusão, resiliência e união.
O primeiro treino aconteceu a 16 de Outubro de 2021 com 50 crianças. Hoje o clube já soma cerca de 200 atletas, vindos de localidades como Alverca, Vila Franca de Xira, Castanheira do Ribatejo, Carregado, Benavente e até Sobral de Monte Agraço. Para facilitar as deslocações, o clube criou um serviço de transporte que leva ginastas de Alverca para Arruda, permitindo maior liberdade aos pais.
O clube organiza os treinos em dois pavilhões: o pavilhão dos Bombeiros de Arruda dos Vinhos, onde funciona a sede principal, e o pavilhão do Externato João Alberto Faria. O clube possui oito classes com os nove treinadores. A filosofia de formação é baseada na estrutura piramidal: grandes classes de formação que permitem identificar e desenvolver talentos para a competição. “Temos meninas que começaram do zero há três anos e agora são juniores, já vão participar em provas de apuramento para o campeonato do mundo”, explica Samuel Asseiceiro.
“Trabalhamos para não depender de subsídios”
Entre os treinadores estão Alda Silva, a primeira treinadora portuguesa medalhada num campeonato internacional, e Cátia Messias, já conhecida da comunidade de Alhandra, que foi a primeira ginasta portuguesa a conquistar uma medalha num campeonato europeu. “Não andamos de bicos de pés na rua. Estamos sossegados no nosso meio, com humildade, mas com trabalho agregador da comunidade e orgulhamo-nos de conseguir fazer o que fazemos apenas com as nossas verbas e as nossas actividades. Não somos uma associação de mão estendida. Trabalhamos para sermos sustentáveis sem depender de subsídios públicos”, afirma Samuel Asseiceiro. O clube já conquistou diversos títulos distritais e nacionais. Na Taça de Portugal obteve resultados nos três escalões da competição, alcançando também pódios em campeonatos distritais.
Para Samuel Asseiceiro, o mais importante não é ser campeão, mas sim promover o crescimento pessoal, a união e a felicidade de cada ginasta. Entre os eventos organizados, destaca-se a prova Acro West Cup, já na terceira edição, que reúne cerca de 800 ginastas e tem vindo a consolidar o clube como referência na ginástica acrobática na região de Lisboa e Oeste. Estes eventos também são uma fonte importante de receitas e divulgação do clube. Para Samuel Asseiceiro, o associativismo é um prazer. “Trabalhar para ver estes miúdos a brilharem no dia a dia, ver os seus sorrisos, é a melhor recompensa. Aqui conseguimos que aprendam resiliência, confiança, organização, autonomia e autoestima. O desporto é um instrumento de vida, não só de competição”, defende.


