Desporto | 14-04-2026 12:00

Simão Concha é campeão nacional e bate recordes na natação adaptada

Simão Concha é campeão nacional e bate recordes na natação adaptada
Simão Concha faz treinos bidiários para se preparar para as competições sob o comando técnico de Rute Cesário - foto O MIRANTE

Com apenas 14 anos, Simão Concha, da Póvoa de Santa Iria, sagrou-se campeão nacional em várias provas e estabeleceu novos recordes na natação adaptada. O atleta do CPCD treina diariamente e não deixa que as limitações visuais o travem. Dentro de água, transforma o esforço em conquistas e é um orgulho para a treinadora Rute Cesário.

Simão Concha, atleta de natação adaptada do Centro Popular de Cultura e Desporto (CPCD) da Póvoa de Santa Iria, bateu vários recordes no Campeonato Nacional de Inverno. O nadador, de 14 anos, compete no escalão de Esperanças, na classe S12, e sagrou-se campeão nacional de 50 metros livres, 100 metros livres e 100 metros bruços, obtendo ainda o 3.º lugar nos S1-S14 Absolutos e o recorde nacional de S12.
O jovem atleta padece de retinoblastoma bilateral, um tumor maligno raro que afecta os olhos. Não vê de uma vista e, da outra, consegue ver sombras e vultos. Mas não é a doença que o faz parar. Acorda às cinco da manhã para ir treinar nas piscinas de Vila Franca de Xira, levado de carro pelos pais. No final do treino, troca de roupa e vai para a Escola D. Martinho Vaz de Castelo Branco, na Póvoa de Santa Iria, cidade onde reside, para frequentar o nono ano de escolaridade. Depois das aulas, vai treinar de novo para as piscinas da Póvoa de Santa Iria.

Alcançar objectivos
Simão Concha já tinha praticado natação no ensino pré-escolar e no 1.º ciclo, parou quatro anos e depois regressou à modalidade por vontade própria. Assume ser competitivo e, quando tem um objectivo, faz de tudo para o alcançar. Na água, a maior dificuldade é, por exemplo, chegar à parede e calcular as distâncias. “Vou pelas braçadas e faço umas contagens. Adapto-me bastante bem aos ambientes em que confio”, afirma, explicando ainda que nada em qualquer piscina que tenha uma linha preta para se poder orientar.
Sobre os recordes que atingiu, disse não estar à espera disso, mas sentiu que trabalhou para conseguir os resultados. “Neste momento vou passinho a passinho, não quero estar a criar muitas expectativas do que vai acontecer no futuro, tenho que aproveitar o presente. Os meus objectivos são ultrapassar todos os obstáculos, melhorar tempos e ir a competições”, sublinha. O nadador, às 21h30, já está na cama e tem cuidado com as horas de sono. Fora da piscina, tem o incentivo dos amigos, dos pais e, o maior, o da treinadora Rute Cesário.

“Ninguém acredita que ele não vê”
Há 29 anos no CPCD a dar aulas de natação e a preparar atletas para a competição, Rute Cesário tem, pela primeira vez, um atleta de natação adaptada. Apostou há três anos em Simão Concha, quando o jovem começou a fazer utilização livre das piscinas, mas depois pediu para frequentar as suas aulas. “Eu coloquei-lhe alguma técnica, ensinei-o a contar braçadas, por causa da dificuldade em ver a parede, mas ele evoluiu muito, começou a gostar, apaixonou-se. Eu ensinei-o a ser autónomo. A partir daí convidei-o para vir para a competição”, conta a treinadora, que diz ter uma grande cumplicidade com o atleta. “Irei com o Simão até onde ele quiser, mas não tenho o objectivo de ter mais atletas de natação adaptada”, afirma, comovida.
Rute Cesário tem a convicção de que o atleta vai chegar muito longe em termos competitivos, apesar de ainda ter muito a aprender e coisas para corrigir. Mas o importante é sentir-se feliz na modalidade e não se sentir pressionado. “Os próprios colegas, quando ele fez as provas de adaptado, ficaram admirados porque ninguém acredita que ele não vê. Eu acho que ele é uma força da natureza”, acrescenta a treinadora.

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