Médio Tejo acusa Governo de apenas responder com intenções quando há estradas destruídas
Presidente da Comunidade Intermunicipal diz que o PTRR não resolve as urgências deixadas pelas cheias e tempestades. Manuel Valamatos critica apoios insuficientes, desigualdade entre municípios e excesso de centralismo nas decisões.
O presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Manuel Valamatos, considera que o Plano Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) fica aquém das necessidades imediatas dos municípios atingidos pelas cheias e tempestades. Para o autarca, o documento anunciado pelo Governo é, nesta fase, pouco mais do que uma declaração de boas intenções, sem medidas suficientemente concretas para responder aos prejuízos já contabilizados no território. “Aquilo é um documento de intenções, não está nada concretizado”, afirmou Manuel Valamatos, defendendo que, embora seja importante preparar o país para fenómenos climáticos extremos, a prioridade deve ser garantir meios rápidos para repor infraestruturas destruídas. “Neste momento é preciso operacionalidade e apoio capaz de resolver os problemas”, sublinhou.
O responsável lembra que vários municípios do Médio Tejo continuam a braços com danos elevados na rede viária, equipamentos públicos e outras estruturas essenciais, sem que os apoios recebidos acompanhem a dimensão dos prejuízos. “Nós temos imensas estradas partidas, destruídas, que não têm seguros, não há nada que nos valha se não forem os apoios do Governo e do Estado”, afirmou. Manuel Valamatos deu como exemplo o concelho de Abrantes, onde estima prejuízos superiores a 16 milhões de euros em equipamentos e estruturas públicas. Segundo o autarca, o município recebeu até agora 700 mil euros, mais 200 mil euros através do Fundo Ambiental, valores que considera manifestamente insuficientes para repor as condições existentes antes das intempéries.
O presidente da CIM Médio Tejo critica ainda desigualdades na distribuição dos apoios, que diz terem sido “escassos” e atribuídos de forma desigual entre municípios. Para Valamatos, o horizonte temporal do PTRR, que se prolonga até 2034, não responde à urgência de muitas situações que precisam de intervenção imediata. “Nós temos muitas situações urgentes que precisamos resolver agora”, frisou. Outra das preocupações apontadas prende-se com o facto de o próprio plano identificar os orçamentos municipais como uma das fontes de financiamento da recuperação dos danos públicos, o que, na leitura do autarca, representa mais pressão sobre autarquias já confrontadas com despesas extraordinárias. “É claro que isto implica um esforço financeiro exigido aos municípios”, afirmou.


