Desporto | 30-04-2026 10:42

Médio Tejo acusa Governo de apenas responder com intenções quando há estradas destruídas

Médio Tejo acusa Governo de apenas responder com intenções quando há estradas destruídas

Presidente da Comunidade Intermunicipal diz que o PTRR não resolve as urgências deixadas pelas cheias e tempestades. Manuel Valamatos critica apoios insuficientes, desigualdade entre municípios e excesso de centralismo nas decisões.

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Manuel Valamatos, considera que o Plano Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) fica aquém das necessidades imediatas dos municípios atingidos pelas cheias e tempestades. Para o autarca, o documento anunciado pelo Governo é, nesta fase, pouco mais do que uma declaração de boas intenções, sem medidas suficientemente concretas para responder aos prejuízos já contabilizados no território. “Aquilo é um documento de intenções, não está nada concretizado”, afirmou Manuel Valamatos, defendendo que, embora seja importante preparar o país para fenómenos climáticos extremos, a prioridade deve ser garantir meios rápidos para repor infraestruturas destruídas. “Neste momento é preciso operacionalidade e apoio capaz de resolver os problemas”, sublinhou.
O responsável lembra que vários municípios do Médio Tejo continuam a braços com danos elevados na rede viária, equipamentos públicos e outras estruturas essenciais, sem que os apoios recebidos acompanhem a dimensão dos prejuízos. “Nós temos imensas estradas partidas, destruídas, que não têm seguros, não há nada que nos valha se não forem os apoios do Governo e do Estado”, afirmou. Manuel Valamatos deu como exemplo o concelho de Abrantes, onde estima prejuízos superiores a 16 milhões de euros em equipamentos e estruturas públicas. Segundo o autarca, o município recebeu até agora 700 mil euros, mais 200 mil euros através do Fundo Ambiental, valores que considera manifestamente insuficientes para repor as condições existentes antes das intempéries.
O presidente da CIM Médio Tejo critica ainda desigualdades na distribuição dos apoios, que diz terem sido “escassos” e atribuídos de forma desigual entre municípios. Para Valamatos, o horizonte temporal do PTRR, que se prolonga até 2034, não responde à urgência de muitas situações que precisam de intervenção imediata. “Nós temos muitas situações urgentes que precisamos resolver agora”, frisou. Outra das preocupações apontadas prende-se com o facto de o próprio plano identificar os orçamentos municipais como uma das fontes de financiamento da recuperação dos danos públicos, o que, na leitura do autarca, representa mais pressão sobre autarquias já confrontadas com despesas extraordinárias. “É claro que isto implica um esforço financeiro exigido aos municípios”, afirmou.

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