Patrícia Sampaio levou medalha, ambição e lições de vida à Escola José Relvas
Judoca olímpica Patrícia Sampaio, medalha de bronze em Paris 2024, levou à Escola José Relvas, em Alpiarça, uma lição de superação dentro e fora do tatami. Perante cerca de 150 alunos, a atleta tomarense falou das lesões, da pressão, da vontade de desistir e da paixão pelo judo.
A medalha de bronze conquistada nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 não foi a única coisa que Patrícia Sampaio levou à Escola José Relvas, em Alpiarça. A judoca olímpica trouxe também uma mensagem de superação, disciplina e paixão pelo desporto, numa sessão do Fórum + Desporto que juntou cerca de 150 alunos e seis professores no auditório da Associação de Estudantes, no dia 27 de Abril. O Fórum + Desporto, programa criado pela escola para promover a actividade desportiva junto dos alunos, voltou a aproximar os estudantes de uma referência nacional. A presença de Patrícia Sampaio foi recebida com entusiasmo e os professores agradeceram publicamente a disponibilidade da atleta, que abdicou de tempo de treino para estar em Alpiarça.
A tarde começou no auditório, com a exibição de um vídeo sobre o percurso da judoca, seguindo-se uma conversa aberta com os alunos. Patrícia Sampaio falou sem filtros sobre o caminho até à elite do judo, recordando que entrou na modalidade por influência do pai e do irmão mais velho, que é também o seu treinador desde 2013. Aos sete anos experimentou o judo sem grande entusiasmo, mas aos nove começou a nascer uma ligação que se tornaria decisiva. “Não digo que foi amor à primeira vista, mas fui gostando cada vez mais”, confessou.
As lesões foram um dos temas mais marcantes da conversa. Entre os Jogos Olímpicos de Tóquio e Paris, a atleta deslocou o ombro e foi submetida a várias cirurgias. Falou da dor física, mas sobretudo da exigência mental de regressar. Para Patrícia, é preciso “enfrentar o período de lesão e ter coragem de nos voltarmos a expor ao que nos magoou”, porque voltar à alta competição é, muitas vezes, reconstruir tudo a partir do zero. A pressão foi outro assunto abordado. A judoca explicou que o trabalho mental é hoje tão importante como o treino físico e revelou que recorre ao acompanhamento de uma psicóloga desportiva. Inspirada pela série Break Point, sobre ténis, interiorizou uma ideia que leva consigo para os combates: “a pressão é um privilégio”. Antes de entrar no tatami, usa canções mentais, observa as adversárias e visualiza ao detalhe o que tem de fazer. “Muitos dos combates que ganhava era porque tinha visualizado, chegava lá e o combate acabava em segundos”, partilhou.
Patrícia Sampaio admitiu ainda que já pensou em desistir. Aos 18 anos chegou a afastar-se do kimono, mas regressou poucos dias depois e, um mês mais tarde, sagrou-se campeã da Europa. “Sou muito apaixonada pelo judo e tenho objectivos muito grandes, e é isso que não me permite desistir”, afirmou. A visita terminou no tatami, onde a atleta ensinou os alunos a cair em segurança, a desequilibrar e a derrubar o adversário. Para muitos, foi o primeiro contacto real com o judo. Para todos, ficou a lição de uma campeã que continua a olhar em frente: o próximo grande objectivo é o Campeonato do Mundo.


