ULS Médio Tejo cria equipa para poupar doentes a picadas e sofrimento desnecessário
Nova equipa especializada em acessos venosos ecoguiados arrancou no Hospital de Tomar e vai ser alargada a Abrantes e Torres Novas. Resposta é especialmente importante para doentes oncológicos, utentes internados ou em tratamentos prolongados.
A Unidade Local de Saúde do Médio Tejo está a implementar uma equipa especializada para melhorar a colocação de acessos venosos em utentes com tratamentos prolongados, doentes oncológicos e pessoas com acesso vascular difícil. A nova Equipa de Acessos Vasculares Ecoguiados iniciou actividade no Hospital de Tomar, sob coordenação do Serviço de Anestesiologia, e deverá ser progressivamente alargada às unidades hospitalares de Abrantes e Torres Novas. A colocação de um acesso venoso é um dos actos mais comuns em contexto hospitalar, mas pode transformar-se num processo doloroso e desgastante quando obriga a várias tentativas. Para muitos doentes, sobretudo os que enfrentam tratamentos longos ou agressivos, cada picada falhada significa mais ansiedade, mais dor e, por vezes, atrasos no início da terapêutica, refere a instituição em comunicado.
A nova resposta aposta na formação diferenciada de médicos anestesiologistas e enfermeiros e no recurso à ecografia, que permite visualizar os vasos sanguíneos em tempo real e orientar a colocação de cateteres com maior precisão. O objectivo é reduzir tentativas, complicações e sofrimento, tornando o procedimento mais seguro e confortável. Segundo a ULS Médio Tejo, a perda precoce de acessos venosos periféricos pode ocorrer em 35% a 50% dos casos, devido a problemas como obstrução, infiltração, flebite, extravasamento ou infecção. Em Portugal, cerca de um quarto dos utentes poderá precisar de duas a oito tentativas até se conseguir uma punção venosa com sucesso.
Edgar Semedo, médico anestesiologista e coordenador do projecto, sublinha que a ecografia permite “visualizar, decidir melhor e actuar com mais segurança”, reduzindo o sofrimento desnecessário dos doentes. Tony Maia, enfermeiro coordenador da equipa, destaca que a resposta valoriza uma área central da prática de enfermagem e dá melhores condições às equipas para cuidar. O projecto inclui ainda a criação de circuitos internos de referenciação, protocolos, formação contínua e acompanhamento de indicadores como taxa de sucesso à primeira tentativa, complicações, tempo de resposta e satisfação dos utentes.


