Futebol feminino ganha terreno no distrito de Santarém mas ainda há muito para crescer
Associação de Futebol de Santarém terminou a época com 915 atletas federadas. Joaquim Martinho defende que o futuro da modalidade passa pela formação, pelas escolas e pela coragem dos clubes em abrir portas às raparigas.
O futebol feminino continua a conquistar espaço no distrito de Santarém e já deixou de ser visto como uma curiosidade para passar a ser uma aposta com futuro. A modalidade acompanha a tendência de crescimento registada no país e, segundo o presidente da Associação de Futebol de Santarém (AFS), Joaquim Martinho, ainda está longe de atingir todo o seu potencial. Em conversa com O MIRANTE, o dirigente sublinha que a evolução tem sido particularmente visível nos escalões de formação, onde há cada vez mais raparigas interessadas em jogar futebol. Para Joaquim Martinho, é aí que se decide o futuro da modalidade. Sem formação, diz, não há crescimento sustentado nem capacidade para consolidar equipas nos clubes.
A AFS terminou a época 2025/2026 com 915 atletas federadas no futebol feminino, um número que traduz uma evolução significativa face a anos anteriores. O presidente da associação adianta que vários clubes do distrito já manifestaram intenção de criar equipas femininas na próxima temporada, sinal de que o interesse continua a aumentar e de que há margem para alargar a base de recrutamento. Joaquim Martinho considera que o papel dos clubes é decisivo. Onde há vontade e organização, defende, é possível reunir atletas suficientes para formar equipas. O dirigente lembra que muitas jovens continuam a percorrer vários quilómetros para representar clubes de outros concelhos, apenas porque não encontram oportunidade perto de casa. Uma realidade que, no seu entender, mostra que o problema não está na falta de interesse das atletas, mas muitas vezes na ausência de resposta local.
O presidente da AFS aponta também o desporto escolar como uma porta de entrada fundamental. É nas escolas que muitas crianças têm o primeiro contacto com a modalidade e descobrem o gosto pelo futebol. Cabe depois aos clubes dar continuidade a esse percurso, criando condições para que as jovens possam competir, evoluir e manter-se ligadas ao desporto. A maior visibilidade do futebol feminino português tem ajudado a abrir mentalidades. O percurso da Selecção Nacional e o sucesso de jogadoras portuguesas em clubes de topo europeu são, para Joaquim Martinho, exemplos que inspiram as novas gerações e contribuem para derrubar preconceitos antigos. Apesar do crescimento, persistem desafios importantes. A formação de treinadores e dirigentes, a melhoria das condições financeiras dos clubes e a criação de estruturas estáveis continuam a ser áreas fundamentais. Joaquim Martinho defende que o investimento na formação deve manter-se como prioridade, porque é esse trabalho de base que permitirá ao distrito dar novos passos.
Para o futuro, o presidente da AFS quer ver mais equipas femininas do distrito nos campeonatos nacionais, tanto no futebol como no futsal. Acredita que Santarém tem talento, clubes e condições para voltar a estar representado nos principais escalões. O caminho, sublinha, passa por continuar a aumentar o número de praticantes e consolidar um crescimento que já começou a dar frutos.


