Desporto | 19-08-2026 12:00

Laura Agostinho corre atrás dos sonhos com curso de Medicina e Jogos Olímpicos no horizonte

Laura Agostinho corre atrás dos sonhos com curso de Medicina e Jogos Olímpicos no horizonte
Laura Agostinho, atleta da Academia Susana Estriga - foto O MIRANTE

Aos 16 anos, a atleta de Abrantes vive um dos momentos mais marcantes da carreira depois de bater o recorde nacional de sub-18 dos 200 metros, que resistia há 38 anos. Entre os treinos, os estudos e o sonho de chegar aos Jogos Olímpicos, Laura Agostinho corre de olhos postos no futuro, acompanhada por uma frase do pai: “Deixa-te de tretas e corre”.

Aos 16 anos, Laura Agostinho já escreveu o seu nome na história do atletismo português. A jovem atleta de Abrantes bateu recentemente o recorde nacional de sub-18 dos 200 metros, que durava há 38 anos, durante o Campeonato da Europa realizado em Rieti, Itália, onde terminou na 12.ª posição. Em conversa com O MIRANTE, a atleta da Academia Susana Estriga admite que acreditava ser capaz de alcançar a marca, embora tenha guardado essa convicção apenas para si e para a mãe. “Disse à minha mãe que ia bater o recorde, mas pedi-lhe para não contar a ninguém porque dava azar”, recorda. Quando cruzou a meta e viu o tempo no marcador, demorou alguns instantes a perceber a dimensão do que tinha conseguido. “Olhei para as bancadas, onde estavam os meus pais e o meu irmão, e fiquei de boca aberta. Só depois percebi verdadeiramente o que tinha feito”, conta.
O abraço com a treinadora, Susana Estriga, alguns minutos mais tarde, dispensou palavras. “A minha treinadora tinha feito anos naquela semana e disse-lhe logo que aquele era o meu presente para ela”, afirma. Apesar da confiança nas suas capacidades, Laura Agostinho reconhece que o nervosismo está sempre presente nas competições. A jovem atleta admite também ter algumas superstições: usa sempre o mesmo colar e os mesmos brincos e, quando uma prova lhe corre bem, chega a repetir o penteado na competição seguinte. Antes de entrar em pista ouve música para se abstrair da pressão e admite que precisa de um estímulo muito próprio para competir ao mais alto nível. “Para uma prova me correr bem, tenho de estar com raiva de mim própria”, confessa. Há também uma frase do pai que a acompanha antes de correr e que ajuda a afastar dúvidas e receios: “Deixa-te de tretas e corre”. Apesar do feito histórico, Laura mantém os pés bem assentes no chão. Reconhece que um recorde não garante o futuro e que o sucesso continua a depender do trabalho diário. Melhorar as suas marcas continuará a ser um dos principais objectivos, embora reconheça que nem todas as competições permitem alcançar o melhor desempenho.

A Medicina no horizonte
A atleta prepara-se agora para ingressar no 12.º ano, na área de Ciências e Tecnologias, conciliando os estudos com os treinos diários, entre as 18h00 e as 20h00. O objectivo é seguir Medicina, uma ambição que pretende manter lado a lado com o atletismo. Em períodos de testes e exames, o tempo livre praticamente desaparece, mas Laura garante que nunca pensou desistir de nenhuma das duas metas. A gestão rigorosa do tempo é uma das chaves para manter o equilíbrio entre a vida académica e desportiva. Uma das suas principais inspirações é Mariana Machado, pela forma como conseguiu conciliar a carreira de atleta com o curso de Medicina.
O caminho até ao recorde nacional também obrigou a sacrifícios. Laura admite que já faltou a aniversários, baptizados e encontros com amigos para poder treinar, estudar ou descansar antes das competições. Garante, no entanto, que faz essas escolhas de forma consciente, por saber que fazem parte do compromisso assumido com a modalidade. Antes de descobrir o atletismo praticou futebol, patinagem, natação e ginástica. Quando deixou de poder acompanhar o irmão no futebol decidiu experimentar a corrida. Entrou no atletismo aos 12 anos e, desde o primeiro dia, é orientada por Susana Estriga, treinadora que considera muito mais do que uma técnica. “É uma amiga, uma conselheira e quase uma psicóloga”, afirma. Laura recorda como um dos momentos mais difíceis da carreira a não convocação para o Campeonato Ibérico de Provas Combinadas, na época passada. A decisão deixou-a desmotivada durante algum tempo. “Nem me apetecia vir treinar. Vinha sem motivação”, confessa. A atleta considera, no entanto, que foi precisamente essa experiência que a ajudou a crescer. “Nem sempre tudo corre bem. O importante é continuar a acreditar no trabalho”, reforça.
Em jeito de despedida, Laura Agostinho fez questão de agradecer aos pais, ao irmão, ao namorado e à treinadora, que viajaram até Itália para a apoiar durante o Campeonato da Europa. “Fizeram um esforço enorme para estarem presentes e isso fez toda a diferença”, afirma. Aos jovens que pensam iniciar-se no atletismo aconselha a experimentarem. “Experimentem. Acreditem em vocês, nunca desistam por uma coisa correr mal e lutem sempre pelos vossos sonhos”, vinca.

Susana Estriga - foto arquivo O MIRANTE

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