Entre treinos, aulas e saudades de casa, Matilde constrói o seu sonho no basquetebol
Matilde Coelho, 15 anos, natural de Torres Novas, volta a vestir a camisola da selecção nacional de basquetebol. Começou a carreira no Chamusca Basket e chegou à selecção nacional pela primeira vez no escalão Sub-14. Agora, a atleta que frequenta o Centro de Alto Rendimento do Jamor, está convocada para a equipa Sub-16. É no Complexo do Jamor que estuda, treina e vive.
Matilde Coelho sempre gostou de jogar basquetebol. A mãe, Nadine Coelho, lembra que depois dos jogos, a filha, na altura com cinco anos, dizia sempre que ganhava, mesmo quando perdia. Desde que se lembra que gosta de jogar e o seu esforço e dedicação à modalidade têm dado frutos. A jovem ficou muito feliz quando recebeu a notícia da convocatória para a Seledção Nacional de Sub-16. Na primeira convocatória foram chamadas muitas jogadoras, que foram sendo eliminadas até se chegar ao grupo final, de doze atletas, que disputou o Campeonato da Europa, no Luxemburgo.
Matilde integrou o primeiro estágio de preparação da Selecção Nacional de Sub-14 e agora voltou a vestir a camisola das quinas no escalão Sub-16. Sente uma grande responsabilidade ao fazê-lo, algum nervosismo e muita felicidade. “Estou a representar todas as meninas da minha idade que não tiveram esta oportunidade. É uma grande responsabilidade, mas fico muito feliz”, conta, em conversa com O MIRANTE.
O Chamusca Basket Club foi o primeiro clube que a acolheu e foram aí que a convenceram de que precisava de outro nível de competição. Na Chamusca sentiu-se muito apoiada e de lá trouxe memórias de uma união inegável entre colegas de equipa. “Quando uma caía, estava lá outra para a ajudar a levantar-se”, conta. Na selecção o cenário não é diferente, garante. A atleta descreve uma união também muito forte entre todas. “Lemos a mente umas das outras e isso é bom”, especifica. Vê a equipa como uma família e conhecem-se todas bem. Existe um clima muito bom.
Foi na Selecção Nacional de Sub-14 que percebeu que o basquetebol poderia tornar-se algo mais sério na sua vida. Foi aí que começou a focar-se e a esforçar-se ainda mais. Hoje, reconhece alguns pontos a melhorar no seu jogo, como o seu lançamento de pára e lança. Já os seus pontos fortes são a visão de jogo, o conseguir perceber quem pode ficar sozinho, a defesa e a intensidade que mete no jogo e no ataque.
As saudades de casa
Matilde Coelho sempre teve muitas pessoas a apoiarem-na: pais, treinadores, amigas e colegas de equipa. Ambição não lhe falta e nunca pensou em desistir, como nos diz a própria. Dos obstáculos mais difíceis de superar, seja para ela seja para a sua família, foi o de estar longe de casa. Desde os 14 anos que treina no Centro de Alto Rendimento do Jamor, em Lisboa, e só vinha a casa aos fins de semana. Agora, na temporada que se segue, não virá nem aos fins de semana.
É no Jamor que Matilde Coelho estuda, treina e vive. Apesar de a estrutura estar bem preparada, como nos explica a mãe, estar longe da família, longe de casa, custa sempre, especialmente tendo em conta a idade da atleta. Mas a mãe acha que este passo também foi importante para a fazer crescer e torná-la mais responsável.
A vida de Matilde Coelho é regrada e composta de muita disciplina. Depois das aulas tem treinos todos os dias. E além dos treinos, tem ginásio, para evitar lesões. “É preciso ter muita força de vontade, é preciso querer muito”, acrescenta Nadine Coelho. Em relação à dieta, não existe, porque “naquela idade queima-se tudo”, brinca a mãe. Outra coisa que pode amenizar ligeiramente a exigência da carreira de Matilde é que a escola dela tem uma maioria de atletas de alto rendimento como ela, e com a mesma idade.


