Ruído de polidesportivo no Bairro da Esteveira volta a motivar queixas de morador
Um munícipe diz que o polidesportivo situado no interior do Bairro da Esteveira, em Samora Correia, continua a perturbar o descanso dos moradores. O problema já tinha sido levado à Câmara de Benavente em 2017 e voltou a ser discutido no ano seguinte.
José Faria vive no Bairro da Esteveira, em Samora Correia, e há vários anos que trava uma batalha contra o ruído provocado pela utilização de um recinto polidesportivo instalado a poucos metros da sua habitação. Aos 76 anos, o leitor de O MIRANTE diz que continua sem conseguir descansar devido ao som das bolas a baterem no piso de cimento e nas balizas metálicas.
Segundo o morador, o rinque encontra-se a cerca de seis metros da sua casa, no interior do bairro, e aquilo que inicialmente seria, segundo afirma, uma continuação do parque infantil acabou transformado num campo para a prática de futebol. José Faria considera positiva a existência de espaços para a actividade desportiva, mas defende que a sua utilização não pode prejudicar o descanso e bem-estar de quem vive nas proximidades.
O problema agrava-se, afirma, aos fins-de-semana, sobretudo aos domingos, quando há utilizadores que começam a jogar logo pelas oito da manhã. José Faria garante que outros residentes também se queixam do barulho e que já apresentou várias reclamações à Câmara de Benavente. O morador diz ter sido informado pela autarquia, ainda no executivo anterior, de que o problema estava identificado e de que seria chamada uma empresa para estudar uma solução destinada a reduzir o ruído produzido no recinto. Até agora, assegura, não foi concretizada qualquer intervenção.
Queixas começaram em 2017
A queixa está longe de ser nova. O assunto chegou formalmente a uma reunião pública da Câmara de Benavente em 17 de Julho de 2017, quando José Faria apresentou aquilo que classificou como um “pedido de socorro” devido ao ruído vindo do polidesportivo. Na acta dessa reunião é referido que o equipamento se encontrava a cerca de sete metros da sua habitação e que o morador já tinha apresentado diversas reclamações por escrito.
Na altura, José Faria queixava-se também de utilizações durante a noite e madrugada e chegou a defender a deslocalização do equipamento. O presidente da câmara à época reconheceu que existiam queixas do morador e de outros residentes e admitiu que o polidesportivo da Esteveira estava entre os equipamentos mais difíceis de gerir na freguesia. A autarquia anunciou então que iria procurar limitar a utilização do espaço até às 22h00 e chegou a admitir a instalação de equipamento na habitação de José Faria para acompanhar a evolução do ruído.
O tema voltou a ser abordado numa reunião camarária em Abril de 2018. Nessa ocasião foi transmitida nova queixa relacionada com o bater das bolas, por vezes durante a noite e outras vezes logo pela manhã. Passados nove anos sobre a primeira intervenção de José Faria numa reunião camarária, o polidesportivo continua a ser utilizado e o morador volta a pedir uma solução. O equipamento, localizado na Rua Zeca Afonso, é de utilização livre e gratuita.
José Faria sustenta ainda que este tipo de equipamento não deveria estar a menos de 15 metros de uma habitação. A legislação nacional consultada por O MIRANTE não estabelece, contudo, uma distância mínima geral de 15 metros entre pequenos campos de jogos e edifícios habitacionais. As normas aplicáveis determinam, entre outras exigências, que a implantação das instalações desportivas não deve constituir uma fonte de perturbação para as construções vizinhas.


