Desporto | 21-10-2026 12:00

Uma cadeira de rodas não travou a paixão de Rita Santos pelo desporto

Uma cadeira de rodas não travou a paixão de Rita Santos pelo desporto
A jovem atleta de Almeirim concilia os treinos de atletismo e equitação com os estudos - foto O MIRANTE

Atleta de 13 anos descobriu o atletismo há pouco mais de um ano e já se sagrou campeã nacional em três disciplinas. Rita Santos não deixou que a cadeira de rodas limitasse a paixão pelo desporto e encontrou nos 20 Km de Almeirim um clube disposto a aprender e a crescer com ela. O sonho agora é chegar aos Jogos Paralímpicos.

Rita Santos tem apenas 13 anos, mas já leva no currículo três títulos de campeã nacional: nos 100 e 200 metros em cadeira de rodas, na categoria T54, e no lançamento do peso F54. Um percurso construído em pouco mais de um ano e que começou quase por acaso, numa actividade escolar. Foi no Mega Sprint, em 2025, que descobriu o atletismo, depois de aceitar o desafio lançado pela professora de Educação Física. “Sempre gostei muito de desporto, mesmo estando numa cadeira de rodas e tendo várias dificuldades pelo caminho”, conta a O MIRANTE. Rita nem sabia que provas iria disputar. Chegou, ouviu as indicações da professora e avançou. “Eu só cheguei, a minha professora disse-me e eu fiz tudo”, recorda. No final do dia ficou a vontade de continuar e procurou os 20 Km de Almeirim para começar a treinar.
A chegada ao clube representou também um desafio para os treinadores, que nunca tinham acompanhado uma atleta em cadeira de rodas com elevadas necessidades de apoio. A resposta, porém, foi imediata. “Perceber esta parte foi um desafio, mas estamos a aprender e temos ido ter com pessoas que têm experiência”, explica o treinador Daniel Leandro. O clube tem procurado conhecimento junto de atletas mais experientes, entre os quais Mamudo Baldé, uma referência europeia nas provas de velocidade em cadeira de rodas, para aperfeiçoar técnicas e proporcionar a Rita melhores condições de evolução. Mais de um ano depois, a jovem atleta já percebeu que velocidade não é apenas uma questão de força. “É preciso ter muita técnica, não é só dar aos braços de qualquer maneira. Se fizer mais força com um braço posso virar a cadeira e estragar tudo”, explica. O lançamento do peso continua a ser a disciplina que mais a desafia, sobretudo pela falta de experiência.
Os títulos nacionais chegaram cedo e Rita não esconde o orgulho, mesmo reconhecendo que, em algumas provas, era a única atleta feminina da categoria. “Eu já sabia porque sou a única menina, mas fiquei muito orgulhosa e feliz”, afirma. A ambição vai muito além dos títulos conquistados. Rita Santos quer continuar a crescer no atletismo e sonha chegar aos Jogos Paralímpicos. Num desporto adaptado ainda com pouca expressão e visibilidade, acredita também que o seu percurso pode dar coragem a outras pessoas com deficiência para experimentarem o desporto e ultrapassarem os receios.
A agenda semanal mostra bem que ficar parada não faz parte dos planos. Treina atletismo às segundas, quartas e sextas-feiras e equitação às quintas. “É meio que uma loucura”, admite, entre risos. Conciliar os treinos com a escola não foi fácil no início, mas encontrou o equilíbrio. Nesta corrida, Rita sabe ainda quem nunca deixou de estar ao seu lado. Os pais acompanham-na nas provas, incentivam-na e ajudam a tornar possível um percurso que começou numa actividade escolar e que já tem os olhos postos no maior palco do desporto adaptado mundial.

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