João Varela: o farmacêutico que troca a rotina pela adrenalina
Para João Varela, administrador do Grupo Varela, a Baja Portalegre é uma espécie de férias de dois dias, longe da rotina profissional, onde pode reencontrar amigos, partilhar histórias e voltar a sentir a adrenalina de uma paixão que o acompanha desde a juventude.
João Varela: o farmacêutico que troca a rotina pela adrenalina
Para João Varela, administrador do Grupo Varela, a Baja Portalegre é uma espécie de férias de dois dias, longe da rotina profissional, onde pode reencontrar amigos, partilhar histórias e voltar a sentir a adrenalina de uma paixão que o acompanha desde a juventude. Aos 55 anos, o farmacêutico não esconde a vontade de alcançar a melhor classificação possível, mas garante que a verdadeira vitória é chegar à meta com o carro inteiro e regressar ao trabalho na segunda-feira, às oito da manhã, sem qualquer problema. A ligação aos automóveis começou cedo. Aos 14 anos, o pai já o incentivava a conduzir e, durante a adolescência, as temporadas passadas no Alentejo permitiram-lhe descobrir os caminhos de terra e ganhar gosto pelas motos de quatro rodas. A primeira participação numa baja aconteceu em 1999, precisamente numa moto 4. Seguiram-se várias edições da Baja Portalegre, provas em Reguengos de Monsaraz e outras experiências no todo-o-terreno e nos ralis.
A vida profissional e familiar nem sempre permitiu manter uma presença regular nas competições, mas a paixão nunca desapareceu. João Varela compara-a a um vírus que pode permanecer adormecido durante algum tempo, mas acaba sempre por regressar. É essa vontade que o leva a voltar a vestir o equipamento e a sentar-se ao volante, mesmo sabendo que o esforço físico e os riscos continuam presentes. O ambiente entre pilotos é uma das principais razões para continuar. Ao longo dos anos criou amizades que se mantêm para lá das corridas, embora muitas vezes seja precisamente nestes encontros que todos conseguem estar juntos. João Varela não procura esconder o espírito competitivo. Ninguém gosta de perder e, quando está em prova, tenta sempre melhorar a classificação. Ainda assim, prefere encarar a experiência como uma competição consigo próprio, um desafio para perceber se continua capaz de enfrentar as dificuldades e completar o percurso.
Ao seu lado segue Filipe Soares, navegador e amigo de longa data, com quem partilha uma relação que começou muito antes de formarem uma dupla de competição. Quando João corria de moto 4, Filipe Soares era o seu mecânico e uma das pessoas que mais o incentivava a continuar nos momentos difíceis. Recorda particularmente uma Baja Portalegre em que, a cerca de 50 quilómetros do final, estava completamente esgotado e a mota apresentava vários problemas. Filipe recusou aceitar a desistência e convenceu-o de que ainda era possível terminar. A confiança construída ao longo de décadas é hoje essencial dentro do carro. João sabe que pode contar com o navegador tanto para interpretar o percurso como para manter a motivação quando o cansaço começa a pesar. A família também tem um papel importante. Habitualmente muito ligada à actividade da farmácia, encontra nas corridas uma oportunidade para sair da rotina e passar tempo em conjunto. João Varela reconhece que existe sempre alguma ansiedade enquanto está em pista, sobretudo porque os familiares sabem que uma prova de todo-o-terreno envolve velocidade, obstáculos e terrenos desconhecidos. Ainda assim, acredita que a forma prudente como encara a competição lhes transmite confiança. O objectivo é simples: divertir-se, não danificar o carro e regressar a casa em segurança.


