Oito milhões “parados” aquecem debate no Cartaxo
Executivo destacou um saldo de gerência de nove milhões de euros e a redução da dívida municipal em seis milhões face ao limite legal, sem pagamentos em atraso.
No executivo da Câmara do Cartaxo houve um braço-de-ferro político em torno da habitação, da execução orçamental e da gestão de oito milhões de euros. A reunião de câmara expôs divergências profundas entre o presidente João Heitor e o vereador socialista Ricardo Magalhães. Apesar de reconhecer o trabalho dos funcionários municipais, o PS apontou falhas na distribuição de recursos, denunciando um desequilíbrio entre a sede de concelho e as freguesias, onde os fundos próprios são, segundo Ricardo Magalhães, 25 vezes inferiores.
A habitação foi outro dos pontos quentes. O vereador socialista acusou o município de não apresentar soluções concretas num contexto de preços em forte subida. “A câmara está a beneficiar do agravamento do preço das casas”, afirmou, criticando a ausência de projetos de construção a custos controlados. Mas foi a questão dos oito milhões de euros disponíveis que dominou o debate. Para o PS, trata-se de dinheiro “parado” cuja não execução representa perdas num contexto de aumento dos custos de construção. João Heitor rejeitou essa leitura, garantindo que o montante está aplicado e já gerou mais de 400 mil euros em juros, embora tenha admitido dificuldades em avançar com projectos, apontando o caso de um concurso de 750 mil euros que ficou sem concorrentes.
Nas contas apresentadas, o executivo destacou um saldo de gerência de nove milhões de euros e a redução da dívida municipal em seis milhões face ao limite legal, sem pagamentos em atraso. Ainda assim, as dúvidas levantadas pela oposição impediram um voto favorável, com o PS a justificar a abstenção com a falta de execução e as assimetrias no investimento, deixando apenas “o benefício da dúvida” ao executivo.


