Machetes | 08-05-2026 10:00

Nuno Mira: Semana da Ascensão com menos custos e mais identidade

Nuno Mira: Semana da Ascensão com menos custos e mais identidade
ESPECIAL ASCENSÃO - CHAMUSCA
Semana da Ascensão da Chamusca é a primeira a realizar-se sob gestão de Nuno Mira - foto O MIRANTE

Nuno Mira, presidente da Câmara Municipal da Chamusca, encara a Semana da Ascensão como uma das principais marcas culturais do concelho. Chega à primeira edição organizada sob a sua responsabilidade com a preocupação de equilibrar tradição, contenção financeira e impacto económico.

A Semana da Ascensão tem sido criticada pelos gastos excessivos. Como define o equilíbrio entre festa, identidade e prioridades essenciais do município?
Todos os eventos têm custos. Não podemos querer realizar eventos e ter o dinheiro no banco ao mesmo tempo. Isso é impossível. Este é o primeiro ano em que vamos realizar a Ascensão e, em relação ao ano passado, mudámos algumas coisas. Colocámos os touros novamente cá em cima, tentámos reduzir custos na contratação de artistas e vamos ter menos palcos.
Que alterações concretas foram feitas?
No ano passado havia três palcos secundários. Este ano só vamos ter o palco tradição a funcionar até ao palco principal. À noite já não haverá espectáculos nesses moldes. Não faz sentido o município promover três espectáculos em simultâneo depois do palco principal.
Vai “cortar” mais no futuro?
Não acho que se deva chegar e acabar logo com tudo sem ver primeiro. A minha forma de olhar para a Ascensão no ano passado era uma; este ano será diferente, porque vou estar lá com responsabilidades. Vou ver as actividades, perceber quais fazem sentido continuar e quais não fazem.
Com que olhos olha para a festa?
A Ascensão também tem de ser vista numa lógica de investimento. Estamos a investir no concelho, a torná-lo atractivo, a fazer com que se fale da Chamusca e a trazer visitantes. É bom para as pessoas da terra, que vivem a sua cultura, recebem amigos e têm dias mais felizes, e é bom para promover o concelho.
Como vai ser viver a Ascensão como presidente?
Muda completamente o paradigma. É diferente ir à Ascensão descontraidamente e estar na Ascensão com a responsabilidade de cumprir horários e garantir que tudo corre bem. A nossa preocupação no evento deixa de ser divertirmo-nos. É garantir que corre tudo bem e que as pessoas gostam. Aquilo de que nós gostamos ou deixamos de gostar passa a ser secundário. Ao longo dos nove dias haverá momentos de confraternização, claro, mas será uma experiência completamente diferente.
Como transformar a Ascensão num efeito económico duradouro?
Temos de trabalhar para obter notoriedade com o dinheiro que investimos. Como em todos os investimentos, temos de retirar o máximo retorno possível. Isso passa por trabalhar muito bem a comunicação e por valorizar a nossa identidade.
Que identidade é essa?
Este ano, ao fim de muitos anos, volta a apresentar a Ascensão o Raul Caldeira, conhecido por dizer “os touros estão na rua” na Quinta-feira da Ascensão. Isto é muito nosso. As pessoas da Chamusca, quando o ouvem, vivem a festa de forma diferente. E quem vem de fora também procura essa identidade. Temos de ter artistas de qualidade, uma festa aprazível, uma terra cuidada, mas também saber dar identidade ao evento. Este ano já temos mais inscrições do que no ano passado, por isso a festa será necessariamente um pouco maior.

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