Pais exigem obras urgentes na Escola Artur Gonçalves em Torres Novas
Associação de Pais da Escola Artur Gonçalves foi à Assembleia Municipal de Torres Novas denunciar a degradação da escola e exigir garantias sobre a candidatura para a requalificação. Presidente do município reconhece problemas e diz que o projecto deverá ser submetido a candidatura até Junho.
A degradação da Escola Artur Gonçalves, em Torres Novas, voltou a marcar a agenda política municipal. Depois de uma representante da associação de pais ter levado o assunto a uma reunião de câmara, foi agora Nuno Lopes, da mesma associação, quem foi à última assembleia municipal exigir respostas, prioridade política e garantias sobre a candidatura ao financiamento da obra. Perante os eleitos municipais, disse que a escola, frequentada por cerca de 1.100 alunos, não tem actualmente condições para garantir um ensino com qualidade. “Precisamos de atitude e foco. São crianças que precisam de excelentes condições para poder estudar e aquela escola não as tem”, afirmou.
O representante dos pais apontou problemas graves nos edifícios, estruturas danificadas já identificadas, ausência de climatização e falhas eléctricas que impedem o normal funcionamento dos equipamentos. “É impossível ligar os computadores porque os quadros vão abaixo. É uma vergonha o que acontece naquela escola e toda a comunidade escolar está preocupada”, sublinhou.
Nuno Lopes criticou ainda o facto de o presidente da câmara ter comparado os problemas da Escola Artur Gonçalves - construída há 39 anos - com os de outros estabelecimentos de ensino do concelho, lembrando que muitos centros escolares foram construídos há 10 ou 15 anos. “Se existem problemas estruturais, se calhar não se podia adjudicar mais obra nenhuma aos construtores que os fizeram”, atirou.
A associação de pais convidou o presidente do município, José Trincão Marques, a visitar a escola com os pais e a direcção, para perceber as deficiências e carências do estabelecimento. Perguntou também se a autarquia pode garantir a elegibilidade do projecto e se estarão reunidos todos os requisitos para obter financiamento através do Banco Europeu de Investimento. “Aquelas crianças não podem esperar mais tempo. Os edifícios não vão ficar melhores, o chão não se vai recompor, os estores não vão funcionar e a chuva não vai deixar de cair dentro das salas de aula. A tendência é piorar”, alertou.
Projecto de 15 milhões
Na resposta, José Trincão Marques garantiu que a autarquia está “bastante empenhada” na resolução do problema. Explicou que existiu inicialmente um projecto “maximalista” de cerca de 20 milhões de euros, posteriormente reformulado para 10 milhões, mas que essa versão não cumpria os requisitos exigidos pelas candidaturas e pelas entidades envolvidas. Segundo o autarca, a câmara está agora a trabalhar num projecto de cerca de 15 milhões de euros, que deverá ficar concluído em breve, com o objectivo de submeter a candidatura até Junho.
O presidente admitiu ter visitado a escola a convite da direcção e reconheceu o “estado degradante” do edifício. “Vi com os meus olhos a falta de condições em geral e estamos bastante preocupados”, afirmou Trincão Marques. Ainda assim, lembrou que existem outros estabelecimentos de ensino no concelho com problemas graves, defendendo que a autarquia tem de tratar as escolas “por igual”, embora reconheça que a Artur Gonçalves apresenta “um nível de degradação muito alto”.
Sobre as garantias exigidas pelos pais, o autarca foi prudente, admitindo que não pode assegurar desde já a elegibilidade da candidatura, mas garantiu que o município está a trabalhar para reunir essas condições. “A prova de que é prioridade é que a Artur Gonçalves é a primeira escola a ser trabalhada por nós com intervenção de obra”, afirmou.


