NERSANT apresenta contas positivas devido à venda de património
NERSANT fechou 2025 com mais de um milhão de euros de resultado positivo, mas a recuperação assenta sobretudo na venda do antigo pavilhão de exposições, em Torres Novas. Continuam a permanecer dúvidas sobre empréstimos antigos, novo financiamento e a estabilidade futura da estrutura empresarial.
A NERSANT - Associação Empresarial da Região de Santarém fechou 2025 com um resultado líquido superior a um milhão de euros e uma autonomia financeira acima dos 60%, números apresentados pela direcção como prova de recuperação. Mas a realidade comunicada pela associação empresarial não apaga as dúvidas deixadas pela venda do antigo pavilhão de exposições, pela ratificação de empréstimos antigos e pela procura de novo financiamento. Rui Serrano, que assumiu a presidência depois da demissão de António Pedroso Leal, tendo a direcção na altura defendido que a substituição interna cumpriu os estatutos, herdou uma associação pressionada e sob forte escrutínio.
O arquitecto de profissão apresenta um discurso em defesa das empresas numa altura em que a própria NERSANT procura consolidar as contas. Segundo Rui Serrano, a venda do antigo pavilhão de exposições, em Torres Novas, por 1,905 milhões de euros, permitiu reduzir o financiamento de curto prazo em cerca de 860 mil euros e o de longo prazo em 187 mil euros. A operação deixou a associação com uma autonomia financeira superior a 60%. A assembleia geral aprovou por maioria o Relatório de Gestão, Balanço e Contas de 2025, com uma abstenção. O exercício encerrou com um resultado líquido positivo de 1.052.423,59 euros, influenciado pela alienação de património.
A assembleia geral de 20 de Julho, porém, não se limitou à aprovação das contas. Os associados foram chamados a ratificar dois empréstimos contraídos em 2021 e 2022 e a analisar um novo financiamento. A chegada de operações antigas à aprovação vários anos depois levanta interrogações sobre os procedimentos adoptados e a transparência das decisões tomadas no passado.
A venda do pavilhão continua igualmente a dividir opiniões. Em Janeiro, empresários ouvidos por O MIRANTE advertiram que a alienação do principal activo poderia aliviar a tesouraria sem resolver definitivamente as dificuldades financeiras. O negócio permitiu reduzir dívida, mas representou a perda de um equipamento emblemático, durante décadas ligado às grandes feiras empresariais da região. Em Santarém, permanece por resolver o futuro da Startup Santarém, instalada na antiga Escola Prática de Cavalaria. A NERSANT aceitou a deslocalização desde que seja garantido um espaço condigno e não existam interrupções para as empresas incubadas. A câmara pretende instalar a estrutura no antigo Escala 4.
Processos em tribunal vão continuar a dar que falar
A recuperação financeira apresentada pela direcção da NERSANT contrasta com uma sequência de derrotas e conflitos judiciais com pelo menos uma empresa associada. Por duas vezes a NERSANT perdeu em tribunal num conflito em que se negou a pagar dívidas da anterior direcção. As decisões do Tribunal foram claras e obrigaram a associação a cumprir os compromissos com a empresa com quem tinha um protocolo. Numa atitude sem precedentes, a direcção da NERSANT anunciou numa assembleia geral a expulsão da empresa associada com quem tinha o protocolo, tendo sido obrigada a reintegrá-la mais de dois anos depois, também por decisão do Tribunal. No entanto, não cumpriu, até agora, segundo apurámos, nenhuma das decisões da sentença que obrigou à reintegração da Terra Branca como associada da NERSANT há mais de 30 anos. Na última sentença em que teve que pagar cerca de 40 mil euros, a NERSANT pediu à Terra Branca para pagar em seis prestações, o que foi aceite.
Os conflitos estendem-se à liberdade de imprensa. Domingos Chambel, antigo presidente da NERSANT, vai ser julgado por atentado à liberdade de informação, na sequência da exclusão de jornalistas de uma conferência de imprensa. O juiz considerou existirem indícios suficientes para levar o caso a julgamento. O crime pode ser punido com pena até um ano de prisão. António Pedroso Leal, também ex-presidente, viu o tribunal rejeitar uma queixa contra O MIRANTE. A decisão concluiu que os textos contestados tinham interesse público e estavam protegidos pela liberdade de expressão e de informação.


