Moradores de Olalhas denunciam condições de saúde precárias na freguesia
Falta de médicos de família, dificuldade em conseguir consultas e teleconsultas pouco adequadas a uma população envelhecida dominaram a intervenção do público na reunião da Câmara de Tomar realizada em Olalhas. Moradores dizem que há cerca de 1.600 utentes sem médico de família e pedem mais profissionais no terreno.
A falta de médicos e enfermeiros e as dificuldades no acesso aos cuidados de saúde marcaram a reunião da Câmara Municipal de Tomar realizada, a 21 de Setembro, na Junta de Freguesia de Olalhas. A sessão contou com uma forte presença de moradores e seis inscrições no período destinado à intervenção do público, com vários participantes a denunciarem problemas semelhantes. Entre as principais queixas estiveram a inexistência de médico de família para muitos residentes, a dificuldade em marcar consultas, a falta de profissionais de saúde e o recurso a teleconsultas, consideradas por vários moradores pouco adequadas à realidade de uma freguesia com uma população bastante envelhecida.
João José Velez da Fonseca, morador de Olalhas, defendeu a existência de enfermeiros que possam realizar visitas domiciliárias e de médicos disponíveis diariamente no centro de saúde, considerando que a situação actual deixa a população mais vulnerável sem o acompanhamento de que necessita. A vice-presidente da Câmara de Tomar, Célia Bonet, explicou que às quintas-feiras está estacionada no Largo do Alqueidão uma unidade móvel com um enfermeiro, reconhecendo, no entanto, que essa resposta não é a ideal. A autarca comprometeu-se a transmitir à entidade responsável a proposta de reforço das visitas domiciliárias. Célia Bonet afirmou ainda que o executivo reúne semanalmente com a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo para procurar soluções para os problemas existentes. Entre as possibilidades em análise está a adesão ao projecto Bata Branca, destinado a reforçar a disponibilidade de médicos.
Outro dos moradores que interveio, José Manuel da Silva Albuquerque, afirmou existirem cerca de 1.600 cidadãos de Olalhas sem médico de família. Criticou também o funcionamento das teleconsultas, considerando que não respondem às necessidades de uma população maioritariamente envelhecida e com pouca familiaridade com meios digitais. Segundo o morador, uma videochamada está longe de ser uma solução simples para muitos idosos, que necessitam de profissionais que acompanhem regularmente o seu estado de saúde e conheçam o respectivo historial clínico. Célia Bonet sublinhou que a falta de médicos de família é um problema que se verifica a nível nacional e que a sua resolução não depende directamente da Câmara Municipal de Tomar, mas da ULS Médio Tejo, que também enfrenta limitações devido à falta de profissionais.
A vice-presidente afirmou ainda que as teleconsultas são acompanhadas por um profissional de saúde, declaração que provocou contestação entre alguns dos moradores presentes na sala. Maria Helena Campos Torres deu como exemplo o caso de uma tia que realizou uma teleconsulta e que, segundo relatou, dificilmente teria conseguido participar sem a sua ajuda. O episódio foi apresentado como mais um exemplo das dificuldades sentidas pelos idosos perante um modelo de atendimento que os moradores consideram insuficiente para responder às necessidades da freguesia.


