Economia | 30-12-2023 13:37

Sufoco financeiro na Nersant pode ser resolvido com venda do pavilhão de exposições

Sufoco financeiro na Nersant pode ser resolvido com venda do pavilhão de exposições
Novo Presidente da Nersant, António Pedroso Leal, vive sufoco financeiro herdado do seu antecessor Domingos Chambel

O conselho geral da Nersant aprovou a venda do pavilhão de exposições que poderá servir para tirar a associação do sufoco financeiro em que Domingos Chambel a deixou depois de um mandato de inacção e de guerras internas.

Na tarde de 21 de Dezembro, o conselho geral da Nersant reuniu para decidir sobre a venda do antigo pavilhão de exposições que está ao abandono há vários anos. O MIRANTE conseguiu falar com o presidente do conselho geral, Ricardo Jorge, em representação da Filstone, que disse estar em família, devido à quadra natalícia, e com o argumento de que está no cargo há pouco tempo, pediu as perguntas por escrito. Fonte bem informada garantiu que a proposta da direcção foi aprovada. O presidente da direcção atendeu o telefone mas recusou-se a dar a notícia uma vez que, disse, não podia falar em nome de Ricardo Jorge.
A venda do pavilhão é para responder à crise de tesouraria e de financiamento da associação. Domingos Chambel, o ex-presidente da direcção, já pagou do seu bolso alguns ordenados, mesmo depois de ter deixado a presidência da Nersant, mas, segundo fonte bem informada, não estará disposto a continuar a financiar a associação. A direcção da Nersant está em negociações com a Câmara de Torres Novas para a compra do antigo pavilhão, mas O MIRANTE sabe que os valores em causa ultrapassam em muito aquilo que a autarquia estará disposta a pagar. Os valores do pavilhão rondam os dois milhões de euros, mas a venda terá que ter sempre em conta que cerca de 65% reverterá para a Câmara de Torres Novas e para a AIP. Talvez por prever dificuldades numa possível venda, o conselho geral aprovou duas resoluções: uma que permite à direcção dar o pavilhão como garantia e outra que permite vendê-lo.
Luís Ferreira, que foi a escolha de Domingos Chambel para director executivo da Nersant, em substituição de António Campos, viu chumbado o projecto para um centro tecnológico para a indústria, que terá sido o seu único trabalho enquanto esteve na associação por escolha do seu ex-presidente da direcção, Domingos Chambel. Luís Ferreira, que toda a vida exerceu o cargo de docente, foi apresentado por Domingos Chambel como um estratega e um líder de equipas. Aparentemente nunca passou de colaborador a recibos verdes, e o seu principal trabalho acabou chumbado pelos organismos competentes. O Centro Tecnológico para a Indústria é uma parceria entre a Nersant, a Escola Profissional de Torres Novas e a câmara municipal, entre outras entidades, mas para já aguarda melhores dias. Segundo O MIRANTE apurou os responsáveis pelo projecto vão recorrer da decisão uma vez que o chumbo foi apenas parcial.

Julgamento do conflito com António Campos foi adiado

O julgamento que opõe o ex-director executivo António Campos, e a direcção da Nersant, esteve marcado para Novembro mas foi adiado. Segundo O MIRANTE apurou, António Campos pede uma indemnização de cerca de duzentos mil euros. A saída de António Campos só se deu quase dois anos depois da tomada de posse de Domingos Chambel. Tal como O MIRANTE já escreveu, Domingos Chambel achava que António Campos não sairia de livre vontade sem ser indemnizado. António Campos acabou por sair sem indemnização mas alegou justa causa e agora pede em tribunal indemnização pelos seus quase 30 anos de trabalho ao serviço da associação. O MIRANTE sabe ainda que algumas das suas testemunhas são membros da direcção de Domingos Chambel. Recorde-se que António Campos estava na Nersant desde Julho de 1995, foi braço direito de José Eduardo Carvalho e Salomé Rafael enquanto foram presidentes, e que Domingos Chambel, enquanto foi falando de “mudança de paradigma” na associação, ao longo de dois anos e meio de mandato, só faltou escrever a carta de despedimento a António Campos. Segundo confidenciou na altura a O MIRANTE um dos seus companheiros de direcção, “Domingos Chambel fez de tudo para que ele se fosse embora de livre vontade”, o que acabou por acontecer. O valor da indemnização pode deixar a Nersant numa situação financeira à beira da ruptura, uma vez que, actualmente, a actual direcção tem dificuldades de tesouraria que não consegue resolver com o apoio dos bancos que têm negado crédito, uma situação nunca vista nos 33 anos da Nersant.

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