Machetes | 12-09-2026 12:00

“Nem vejo reuniões de câmara”: Carlos Coutinho trocou vida autárquica pela família e uma pequena horta

“Nem vejo reuniões de câmara”: Carlos Coutinho trocou vida autárquica pela família e uma pequena horta
Carlos Coutinho foi presidente da Câmara Municipal de Benavente durante 12 anos - foto arquivo O MIRANTE

O antigo presidente da Câmara de Benavente diz ter-se afastado por completo da vida pública, não acompanha sequer as reuniões do executivo e dedica agora o tempo à família, aos amigos e a uma pequena horta. “Tenho a minha consciência mais do que tranquila”, afirma.

Carlos Coutinho passou 28 anos ligado à vida autárquica no concelho de Benavente, doze dos quais como presidente da câmara, mas, terminado o mandato em 2025, decidiu cortar de forma radical com uma actividade que ocupou uma parte significativa da sua vida. Aos 63 anos, o antigo autarca garante que não tem acompanhado a actualidade municipal e que a decisão de se afastar foi consciente e propositada. “Limpei tudo. Foi mesmo propositadamente. Olhos que não vêem, coração que não sente. Isto é mesmo assim. Fechou-se um ciclo, ficou para trás. Está feito”, afirma Carlos Coutinho, natural de Samora Correia e empregado bancário reformado.
Presidente da Câmara Municipal de Benavente entre 2013 e 2025, depois de ter exercido funções como vereador e vice-presidente entre 1998 e 2013, Carlos Coutinho considera que chegou o momento de deixar para trás uma vida marcada por uma dedicação intensa ao poder local. “Foram tantos anos, fiz o que podia. Tenho a minha consciência mais do que tranquila. Agora não me quero envolver em mais nada”, diz a O MIRANTE, reconhecendo que tantos anos de actividade deixam marcas. Mas assegura ter conseguido estabelecer uma ruptura clara. “Pus na minha cabeça que terminou, que acabou. Não quero mais. Já fiz o que tinha a fazer. A forma de quebrar com isto é desligar-me de tudo”, vinca.
O afastamento chega ao ponto de não acompanhar as reuniões do executivo municipal de Benavente. “Nem vejo reuniões de câmara, não quero”, confessa. Na rua, continua a ser abordado por pessoas que lhe falam de assuntos locais, mas procura não se envolver. “É a forma que tenho, senão isto seria complicado”, refere.

“Estou a retribuir aquilo que não pude dar durante muitos anos”
Carlos Coutinho sofreu um acidente vascular cerebral em Abril de 2023, que o manteve afastado das funções até Setembro desse ano, regressando depois à presidência para cumprir o mandato até 2025. O antigo autarca diz que este primeiro período fora da vida pública está também a servir para recuperar tempo que durante anos não conseguiu dedicar a outras dimensões da vida. Entre as novas rotinas está uma pequena horta e, sobretudo, o acompanhamento da mãe. “Estou a retribuir aquilo que não pude dar durante muitos anos”, explica. “É um ano para quebrar o ciclo. Depois logo vamos ver o que acontece a seguir”, acrescenta, sem antecipar aquilo que poderá reservar o futuro. Para já, garante sentir-se bem com a decisão tomada: “Foi uma decisão minha e legítima. Tenho-me sentido muito bem”.
O tempo é agora ocupado também com amigos, almoços, convívios e família, longe das obrigações que marcaram grande parte da sua vida. “Tenho algumas actividades, mas faço quando quero e como quero. Que é uma coisa diferente”, salienta. “O facto de não ter compromissos... Aliás, tenho o compromisso comigo, quando quero e como quero. E isso é que é importante”, continua.
Carlos Coutinho mantém-se como membro da Comissão Concelhia de Benavente e da Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP. Foi também mandatário distrital de Santarém da candidatura de António Filipe à Presidência da República. Ao longo do percurso autárquico desempenhou ainda funções em diversos organismos, entre os quais a Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, a Resiurb, a Ecolezíria e a Associação de Municípios do Vale do Tejo.

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