Machetes | 26-09-2026 18:00

Mulheres e crianças são as principais vítimas de violência doméstica em Torres Novas

Mulheres e crianças são as principais vítimas de violência doméstica em Torres Novas

As mulheres continuam a ser as principais vítimas de violência doméstica em Torres Novas. Na zona urbana, 83% das vítimas registadas pela PSP em 2025 eram mulheres, percentagem que se fixava nos 72% até Julho deste ano. A residência continua a ser o principal palco das agressões.

A violência doméstica em Torres Novas continua a ter sobretudo mulheres como vítimas e homens como suspeitos ou agressores. Os dados apresentados por PSP e GNR na tarde de sábado, 12 de Setembro, durante a sessão temática da Assembleia Municipal de Torres Novas dedicada à segurança, mostra ainda que grande parte dos episódios ocorre dentro de casa e no contexto de relações familiares ou conjugais.
Na área urbana, sob responsabilidade da PSP, as mulheres representaram 83% das vítimas de violência doméstica em 2025 e 72% até Julho de 2026. Nos dados apresentados pela GNR relativos a este ano, as vítimas são igualmente maioritariamente mulheres. A Guarda contabiliza ainda quatro vítimas do sexo masculino com menos de 16 anos, que poderão corresponder a menores envolvidos em situações de violência no agregado familiar.
Do lado dos suspeitos, os dados da GNR mostram uma predominância vincada dos homens: dos 15 suspeitos identificados em 2026, 14 são do sexo masculino e apenas um do sexo feminino. O subcomissário João Luzio, da PSP, chamou a atenção para o facto de o número de vítimas poder ser superior ao número de ocorrências. Numa situação de violência doméstica entre um casal, por exemplo, um menor presente no agregado é também considerado vítima.

Maioria das agressões ocorre na residência
Também quanto ao local das ocorrências, os dados confirmam que a violência doméstica continua a ser, em larga medida, um crime cometido dentro de portas. Na área da PSP, 20 das 24 ocorrências registadas até Julho de 2026 aconteceram em residências. Duas ocorreram na via pública e outras duas em estabelecimentos. Em 2025, 37 das 43 ocorrências registadas pela polícia tinham igualmente acontecido em casa. “É no domicílio, na privacidade do lar, que convivemos mais com os companheiros, filhos”, explicou João Luzio.
A GNR indicou, por sua vez, que a maior incidência se verifica no período nocturno. Sábado e terça-feira são os dias da semana em que foram registadas mais situações.

Violência entre casais domina
A violência entre cônjuges ou companheiros representa a maior fatia dos casos acompanhados pela PSP na cidade de Torres Novas. Em 2025 foram instaurados 33 inquéritos relacionados com violência entre elementos do casal, dois envolvendo menores, seis de pais contra filhos e dois de filhos adultos contra os pais. Até Julho deste ano, a PSP registava 18 situações de violência entre cônjuges, uma contra menores, três de pais para filhos e duas contra idosos.
A violência física e a violência psicológica apresentam valores muito próximos. Em 2025, 53% das situações foram classificadas predominantemente como violência física e 47% como psicológica. Até Julho deste ano, a divisão era de 50% para cada tipo. Segundo a PSP o recurso a armas não é habitual nestes processos, embora existam episódios em que são utilizados objectos do quotidiano para agredir as vítimas.

GNR com 13 denúncias este ano
Na área territorial abrangida pela GNR de Torres Novas foram registadas 22 denúncias de violência doméstica em 2023, 17 em 2024, 18 em 2025 e 13 em 2026. O sargento-ajudante Joselito Campos referiu que os dados têm revelado oscilações, com tendência para uma descida no ano seguinte a períodos em que é registado um número mais elevado de denúncias.
Em 2026, a União das Freguesias de Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel concentra o maior número de denúncias na área da GNR, com quatro. Seguem-se Meia Via, com três, e Chancelaria, com duas. Assentis, Pedrógão, Riachos e Zibreira registaram uma denúncia cada.
PSP e GNR salientaram também a importância da primeira resposta às vítimas. Joselito Campos explicou que a GNR procura ter nos postos territoriais elementos com formação específica em violência doméstica para apoiar as patrulhas e fazer o atendimento especializado. O militar reconheceu, contudo, que a Guarda gostaria de dispor de mais recursos. “Gostávamos de fazer mais, mas por vezes não temos os meios que gostaríamos”, afirmou, acrescentando que a GNR procura “rentabilizar ao máximo” os recursos disponíveis.
A PSP destacou, por seu lado, os programas e acções de sensibilização desenvolvidos para prevenir a violência doméstica, facilitar a sinalização das situações e incentivar a denúncia.

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