Machetes | 26-09-2026 07:00

“Por trás das varizes, esconde-se uma doença crónica”

“Por trás das varizes, esconde-se uma doença crónica”
Insuficiência venosa
Sérgio Eufrásio, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular no Hospital CUF Santarém (OM 42202) - foto DR

As varizes, que podem afetar até 30% da população, são ainda consideradas, com frequência, um problema meramente estético. Mas a verdade é que as veias dilatadas alertam para uma doença que pode ter consequências graves e um impacto significativo na saúde e na qualidade de vida. Sérgio Eufrásio, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular no Hospital CUF Santarém, explica os principais fatores de risco, os sinais de alerta e as medidas que ajudam a controlar os sintomas da insuficiência venosa. Revela também as opções de tratamento atualmente disponíveis e destaca a importância de um diagnóstico e intervenção atempados.

As varizes são muitas vezes encaradas apenas como um problema estético. Por que razão é importante passar a olhar para elas como um sinal para consultar o médico?
Quase todos conhecemos alguém com varizes e é comum pensar que se trata apenas de um problema estético. Mas por trás das veias dilatadas esconde-se uma doença crónica, a insuficiência venosa, com complicações que não devem ser ignoradas. O problema é que, ao ser tratado como uma simples questão de aparência, a ida ao médico acaba por ser adiada. E, enquanto isso acontece, a doença continua a avançar, muitas vezes sem dar grandes sinais.
Sensação de peso nas pernas, cansaço ao final do dia ou um ligeiro inchaço costumam ser os primeiros avisos e podem surgir ainda antes de qualquer veia se tornar visível. Se não for tratada a tempo, a doença venosa pode evoluir para complicações mais graves, como alterações permanentes na pele, trombose venosa ou úlceras nas pernas.
Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de varizes e que sintomas devem levar uma pessoa a procurar avaliação por um especialista?
Ter casos de doença venosa na família e ser mulher são os principais fatores a ter em conta. Sabe-se também que a própria idade tem relevância, sendo que a incidência da doença é maior em mulheres a partir dos 30 anos. Depois há hábitos, estilos de vida e condições que estão também associados a um risco acrescido: o excesso de peso, a falta de exercício ou sedentarismo, e as profissões que obrigam a estar muitas horas em pé ou sentado, como acontece com cabeleireiros, professores ou motoristas, por exemplo.
Quanto aos sintomas, há sinais que não devem ser ignorados e que justificam a observação por um cirurgião vascular. Os principais são dores persistentes ou sensação de peso nas pernas; pernas inchadas, que vão piorando ao longo do dia; mudanças na cor da pele; ou o aparecimento de veias dilatadas e tortuosas, as chamadas varizes. Nos casos mais preocupantes, é preciso ter atenção a feridas que custam a cicatrizar, ou a uma perna que fica vermelha e quente numa determinada zona, sinal que pode indicar uma trombose.
É frequente ouvir dizer que as queixas relacionadas com as varizes pioram durante o verão ou após períodos de maior calor. Por que motivo ocorre este agravamento?
Esse agravamento ocorre porque o calor dilata as veias e os vasos capilares das pernas e, como as varizes já são veias dilatadas, este efeito da temperatura ambiente soma-se ao problema de base. No verão, o inchaço, o peso e o desconforto tornam-se por isso mais evidentes. Longos períodos em pé ou sentado na praia, a exposição solar direta e os banhos muito quentes agravam ainda mais o quadro.
Há também um fator comportamental que contribui para piorar um cenário já de si desfavorável: é que nos meses mais quentes muitas pessoas deixam de usar as meias de compressão elástica, precisamente por se tornarem mais incómodas devido ao calor, retirando essa proteção quando mais falta faz.
O que pode acontecer quando a insuficiência venosa não é tratada? Existem complicações que importa prevenir?
Sim, e podem ser significativas. À medida que a doença avança, a pele junto aos tornozelos começa a mudar de cor e de textura, tornando-se mais frágil, podendo mesmo dar origem a feridas nessa zona, as chamadas úlceras venosas, que demoram a cicatrizar e tendem a reabrir. Outro risco é o aparecimento de tromboflebite, uma inflamação com formação de um coágulo numa veia superficial. Em alguns casos, uma variz mais próxima da superfície da pele pode ainda romper e sangrar após um traumatismo ligeiro.
Para além destes riscos, a doença não tratada tem impacto na qualidade de vida, limitando a mobilidade e as atividades do dia a dia. É por isso que a prevenção destas complicações é, por si só, uma boa razão para não desvalorizar o problema.
Que medidas podem ajudar a aliviar os sintomas no dia a dia e a prevenir a progressão da doença?
No dia a dia, há hábitos simples que ajudam a controlar os sintomas, a começar por caminhar com regularidade, porque ativa a chamada “bomba muscular” da barriga da perna. Devem evitar-se, sempre que possível, longos períodos em pé ou sentado. Outra medida que contribui para um alívio real do desconforto é elevar as pernas durante algum tempo e, inclusive, durante o sono. As recomendações passam, também, por manter um peso saudável e pelo uso de meias de compressão, sobretudo em dias de maior calor ou em viagens longas.
Em que situações o controlo dos sintomas deixa de ser suficiente e passa a ser necessário recorrer a algum tipo de tratamento?
Estas medidas que mencionei são eficazes no alívio de sintomas ligeiros a moderados e ajudam a atrasar a progressão da doença, mas não corrigem a sua causa. Quando os sintomas persistem apesar destes cuidados, quando as varizes aumentam de volume ou em quantidade, ou quando surgem alterações na pele, feridas ou episódios de trombose, a prevenção já não é suficiente. Torna-se então necessário recorrer a tratamento médico, que pode incluir medicamentos, escleroterapia (procedimento em que é injetada uma solução diretamente na veia) ou mesmo cirurgia.
O diagnóstico correto da doença venosa começa sempre numa consulta completa, que inclua a história clínica, um exame físico e a realização de um ecodoppler venoso. É a conjugação destes três elementos que permite avaliar com rigor a extensão da doença e determinar qual a opção de tratamento mais adequada a cada caso.
A cirurgia de varizes tem evoluído significativamente nos últimos anos, e o Hospital CUF Santarém tem acompanhado essa evolução, disponibilizando técnicas como o laser e a radiofrequência, que permitem uma recuperação mais rápida, com menos dor e um melhor resultado estético.

Hospital CUF Santarém, S.A. | Registo ERS E117042 | Licença nº 07/11.12 e 3992/2012 | Santarém | NIPC 505410281

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