Quercus dá parecer desfavorável a unidade de biometano nas Marés
A unidade de produção de biometano prevista para as Marés, em Alenquer, recebeu parecer desfavorável da Quercus, que aponta “fragilidades ambientais significativas” e se junta à contestação da autarquia e da população.
A associação ambientalista Quercus emitiu parecer desfavorável à Unidade de Produção de Biometano nas Marés, Abrigada, no concelho de Alenquer, considerando que o projecto apresenta “fragilidades ambientais significativas” ao nível dos recursos hídricos, solos, emissões, odores e impactos sobre as populações. Entre as preocupações manifestadas está a pressão sobre os recursos hídricos. Segundo a associação, o projecto prevê a afectação directa de uma linha de água de 1.ª ordem e do domínio hídrico de uma linha de água de 2.ª ordem, além do consumo de 20.091 metros cúbicos de água por ano da rede pública.
Para a associação ambientalista, o projecto deve ser reformulado de forma a eliminar a afectação das linhas de água e privilegiar fontes alternativas de água não potável, como a reutilização de águas residuais tratadas. Outra das preocupações prende-se com as cerca de 87.075 toneladas de digerido previstas anualmente para valorização agrícola. A associação considera insuficiente a informação existente, uma vez que não é apresentado um plano com a identificação das parcelas agrícolas onde o material será aplicado. A Quercus alerta ainda para os riscos de lixiviação de nitratos, contaminação das águas subterrâneas e eutrofização.
Odores e tráfego pesado entre as preocupações
O funcionamento da unidade implicará o transporte e processamento diário de grandes quantidades de chorumes, estrumes e outros resíduos, situação que, segundo a Quercus, poderá ter impactos ao nível dos odores, qualidade do ar, ruído e circulação rodoviária. A associação defende a implementação de um plano de monitorização de odores através da instalação de uma rede de sensores no contorno da instalação. Para a Quercus os dados devem ser públicos e estar disponíveis para consulta em tempo real. A associação considera também que deve ser realizado um estudo de impacto no tráfego, com a imposição de rotas obrigatórias fora dos aglomerados populacionais e a manutenção das vias pelo promotor. O objectivo é evitar que esse custo recaia sobre o município ou os contribuintes.
Unidade quer processar mais de 84 mil toneladas de resíduos por ano
A unidade nas Marés prevê processar cerca de 230 toneladas de resíduos e subprodutos agropecuários e agroindustriais por dia, o equivalente a mais de 84 mil toneladas por ano, para produção de biometano. Recorde-se que esta é a segunda unidade de produção de biometano do mesmo promotor, a Gás da Terra, a enfrentar oposição pública e dos respectivos municípios em menos de três meses. O primeiro foi o projecto para Árgea, no concelho de Torres Novas, cuja aprovação foi contestada e sobre o qual a Quercus também se pronunciou negativamente.


