Transtejo Soflusa revoluciona frota com aposta de 100 milhões em navios eléctricos
Empresa garante que se trata da maior operação eléctrica do Mundo, em escala e complexidade das águas navegadas e velocidades de carregamento. Metade da frota ainda é a diesel, mas a administração está a preparar um plano de novos investimentos a apresentar ao Governo no próximo ano.
O serviço de transporte fluvial da Transtejo Soflusa, que liga a margem sul do Tejo a Lisboa, dispõe desde a última semana de 10 novos navios eléctricos em pleno funcionamento, permitindo a “maior operação eléctrica do mundo”, anunciou a empresa. O momento foi assinalado numa cerimónia que decorreu junto ao cais fluvial do Cais do Sodré, em Lisboa, na qual participou também o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
Ouvido no final da cerimónia, o presidente da administração da Transtejo Soflusa, Rui Rei, explicou que apesar do último dos 10 navios eléctricos, que vieram reforçar a frota da empresa, já ter chegado em Outubro do ano passado, só a partir de 16 de Setembro deste ano ficaram todos a funcionar em pleno no Tejo. “Reduzimos as supressões, estamos a respeitar os horários e os passageiros. Foi um grande desafio e ginástica que a empresa fez para ter as ligações de Cacilhas e Seixal totalmente eléctricas. E dentro das oportunidades vamos fazendo ligações ao Barreiro e Seixal com esta frota”, anunciou Rui Rei.
Neste momento, metade da frota já é eléctrica. Os restantes dez navios a diesel vão sendo progressivamente adaptados a rotas mais longas e de maior exigência, já que, segundo o administrador, as características do Tejo em Lisboa “são quase mar” e isso levanta desafios. “Temos protelado algumas substituições e feito fortes investimentos na frota a diesel porque ainda precisamos de uma boa parte dela para fazer algumas rotas como Algés e futuramente a ligação ao Parque das Nações. Não podemos ficar sem parte da frota a diesel sem garantir que a prazo teremos um plano para a substituir totalmente”, explica a O MIRANTE.
Carregadores ultra-rápidos em terra
A Transtejo/Soflusa tem o compromisso assumido de apresentar ao Governo, até ao fim do primeiro trimestre de 2027, uma proposta de renovação total da frota. “Estamos a fazer estudos de oferta e procura e ao mesmo tempo a avaliar a melhor solução em termos de embarcações. Já concluímos que não precisamos de embarcações tão grandes. Vamos precisar de embarcações mais pequenas, ágeis e com maior velocidade de ponta”, revela.
Com 540 lugares cada embarcação, a operação eléctrica já permitiu transportar cerca de cinco milhões de passageiros, dos quais perto de três milhões na ligação entre Cacilhas (concelho de Almada) e Cais do Sodré (Lisboa), que funciona há cerca de três meses com operação 100% eléctrica. É um investimento de 100 milhões de euros. “Não há no Mundo nenhuma operação eléctrica com a dimensão e as características da nossa, com navios com esta capacidade de passageiros. Esta frota carrega em terra em carregadores que são três a quatro vezes mais potentes que os actuais carregadores de automóveis”, explicou Rui Rei. Uma situação que, revelou, obrigou a dar formação específica aos trabalhadores e responsáveis pelas embarcações.


