Machetes | 03-10-2026 12:00

Associação de Saúde Mental acompanha mais de 180 pessoas no Médio Tejo

Associação de Saúde Mental acompanha mais de 180 pessoas no Médio Tejo
Associação de Saúde Mental do Médio Tejo acompanha mais de 180 pessoas e sublinha que pequenos gestos diários podem fazer a diferença - foto O MIRANTE

Associação de Saúde Mental do Médio Tejo aproveitou a primeira edição do Festival de Saúde de Tomar para divulgar o trabalho desenvolvido nos 11 concelhos da região e aproximar a saúde mental da comunidade. A associação acompanha cerca de 180 pessoas e defende que prevenção, convívio e pequenos gestos do quotidiano podem fazer a diferença.

A Associação de Saúde Mental do Médio Tejo (ASMMT) marcou presença na primeira edição do Festival de Saúde de Tomar, numa iniciativa que serviu para divulgar o trabalho desenvolvido pela instituição e sensibilizar a comunidade para a importância de cuidar da saúde mental ao longo da vida. Para Tânia David, presidente da direcção da ASMMT, a participação permitiu perceber que continua a existir desconhecimento sobre a associação, mesmo entre a população de Tomar. “Muitas das pessoas que passaram pelo nosso stand não tinham conhecimento da existência da associação”, refere.
Criada há cerca de 13 anos por profissionais de saúde ligados ao Hospital de Tomar, a ASMMT constituiu a sua equipa técnica há aproximadamente quatro anos. Integra actualmente assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros especialistas em saúde mental e auxiliares de acção directa. A intervenção abrange os 11 concelhos do Médio Tejo e chega a cerca de 180 pessoas. As visitas domiciliárias representam uma parte importante do trabalho, obrigando as equipas a percorrer diariamente vários quilómetros. A intervenção procura também estimular a autonomia, combater o isolamento e promover a participação social das pessoas acompanhadas.
Os projectos em funcionamento destinam-se a maiores de 18 anos, mas o Festival de Saúde permitiu à associação trabalhar também com crianças e jovens. Para Tânia David, a experiência mostrou que as gerações mais novas revelam hoje maior facilidade em falar sobre emoções e saúde mental. Persistem, contudo, diferenças geracionais e situações em que determinados sinais continuam a ser desvalorizados. Um dos temas levados ao festival foi a demência, tendo sido realizado um rastreio cognitivo. A ASMMT aguarda ainda a aprovação de uma candidatura para um projecto dirigido a pessoas com mais de 60 anos com problemas desta natureza.
A terapeuta ocupacional Matilde Tavares alerta para sinais que não devem ser automaticamente associados ao envelhecimento, como isolamento social, perda de interesse por actividades anteriormente valorizadas, esquecimentos frequentes, dificuldade em encontrar palavras ou alterações nos interesses e nas relações com outras pessoas. O isolamento pode ainda conduzir a menor actividade física, perda de força muscular e aumento do risco de queda, criando um ciclo em que o medo de cair leva as pessoas a permanecer ainda mais tempo em casa. A associação sublinha, contudo, que nem todos os esquecimentos são sinal de demência. O stress, o cansaço e a exigência do quotidiano podem afectar a memória e a capacidade de concentração.
A situação dos cuidadores informais foi outro dos temas abordados. Segundo Tânia David, muitos familiares de pessoas com doença mental grave ou demência acabam por colocar as próprias necessidades em segundo plano. “Eles anulam-se, esquecem-se deles mesmos”, afirma, defendendo que é igualmente necessário cuidar de quem cuida. A ASMMT procura também combater o isolamento através de gestos simples, como acompanhar uma pessoa a tomar um café, proporcionar uma saída ou organizar um almoço fora de casa. Para a associação, estes momentos podem representar uma mudança importante na rotina e no bem-estar.
No festival foi ainda apresentado um “kit de saúde mental”, criado para a iniciativa, com propostas acessíveis para o quotidiano: semear uma planta, almoçar ao ar livre, experimentar uma aula de dança, ler, encontrar um amigo ou passar algum tempo longe das tecnologias. Foram ainda angariados parceiros que disponibilizaram descontos e vouchers para algumas das actividades. “Não é preciso inventarmos muita coisa. As coisas estão à nossa disposição, é pararmos e cuidarmos de nós”, resume Tânia David. A mensagem deixada pela ASMMT é que a saúde mental deve ser cuidada antes de existir doença instalada e que pedir ajuda não deve ser encarado como sinal de fraqueza.

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