Queixa de gestores do Hospital VFX contra comissão de utentes continua sem arguidos
Passado quase um ano ainda não há arguidos formalmente constituídos no caso da queixa apresentada na justiça pela Unidade Local de Saúde Estuário do Tejo (ULSET), entidade que gere o Hospital Vila Franca de Xira, contra a Comissão de Utentes da Castanheira do Ribatejo.
Passado quase um ano ainda não há arguidos formalmente constituídos no caso da queixa apresentada na justiça pela Unidade Local de Saúde Estuário do Tejo (ULSET), entidade que gere o Hospital Vila Franca de Xira, contra a Comissão de Utentes da Castanheira do Ribatejo. A confirmação foi dada a O MIRANTE por Pedro Gago, presidente da comissão, que apesar de se encontrar numa situação debilitada de saúde diz acreditar que o processo “não vai dar em nada”. O dirigente, recorde-se, foi surpreendido a 15 de Outubro do ano passado ao ser chamado para ir prestar declarações ao posto da GNR da vila, na qualidade de testemunha, no âmbito de um inquérito processual em curso visando a comissão. A Procuradoria-Geral da República já tinha confirmado a O MIRANTE que estava a correr termos no Ministério Público de Vila Franca de Xira um inquérito investigando a eventual prática de um crime contra a honra. Quem meteu a Comissão de Utentes de Castanheira do Ribatejo em tribunal foi a Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo (ULSET), entidade que, à data, era liderada por Carlos Andrade Costa. A ULSET já tinha explicado ao nosso jornal ter sido a autora da queixa na justiça, após um abaixo-assinado entregue pelos utentes da Castanheira em Janeiro de 2025, onde estes criticavam o funcionamento dos centros de saúde e pediam a colocação de mais médicos para servir a comunidade. Isto numa altura em que também se ouviam várias queixas da comunidade, incluindo de autarcas, sobre o mau funcionamento dos centros de saúde e do hospital. O abaixo-assinado, alegava a ULSET, continha um conjunto de “vicissitudes administrativas insanáveis, susceptíveis de pôr em causa a sua autenticidade”.
Questionada pelo nosso jornal, na altura, sobre se este processo visava ou não condicionar a liberdade de expressão e a actuação da comissão de utentes, a ULSET negava, explicando que “não está nem nunca esteve em causa” o conteúdo do abaixo-assinado ou sequer do comunicado sobre o assunto. O comunicado emitido na altura pela comissão de utentes, onde também foi realizado um abaixo-assinado com centenas de assinaturas para enviar ao Ministério da Saúde, dizia que a Castanheira do Ribatejo estava de luto por falta de médicos de família e que se tratava de um centro de saúde fantasma. Também Nélia Ferreira, do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), condenou a situação e disse estranhar a postura dos gestores.


