Companhia de Tomar dá nova vida às memórias e tradições das aldeias
A CASIMIRA, companhia artística sediada em Tomar, recolhe histórias e tradições das comunidades rurais para as transformar em teatro, rádio e narração oral.
A CASIMIRA, companhia artística sediada em Tomar, recolhe histórias e tradições das comunidades rurais para as transformar em teatro, rádio e narração oral. O projecto envolve as populações na criação artística e procura preservar a memória colectiva das aldeias. Fundada em Outubro de 2024 por sete artistas de diferentes nacionalidades, a CASIMIRA tem residência na Fábrica das Artes, em Tomar, e aposta na descentralização cultural e valorização do património imaterial. O nome homenageia Angelina Casimira Vidal, escritora, professora e activista dos direitos das mulheres e dos mais pobres. Um dos projectos mais recentes é Caminho de Cabras, uma criação de teatro radiofónico desenvolvida nas aldeias de Carvalheiro, em Alcanena, Curvaceiras, em Tomar, e Sobral, em Ourém. A iniciativa partiu de testemunhos de cerca de 45 habitantes e envolveu aproximadamente 200 pessoas, entre artistas, mediadores e público. As histórias recolhidas deram origem a uma narrativa sobre uma trupe de saltimbancos à procura de um lugar onde se fixar.
A companhia acredita ter conseguido reanimar a memória colectiva e reforçar os laços comunitários. Depois da apresentação em Ourém, o espectáculo chega ao Cine-Teatro São Pedro, em Alcanena, a 30 de Outubro, às 21h00, e ao Cine-Teatro Paraíso, em Tomar, a 1 de Dezembro, às 17h00. Entre os trabalhos anteriores destaca-se Nabâncias, radionovela ao vivo inspirada na história de Tomar, e MUDO, projecto de sonorização de um filme português de 1911. A 28 de Novembro, a companhia apresenta O Algures das Vozes, ficção radiofónica que percorre cerca de 20 países e reúne mais de 20 intérpretes amadores residentes na região. Estão também previstas Matinés da Casimira, com contos, cantigas e bailarico, a 14 de Novembro e 12 de Dezembro.
Apesar do dinamismo, a sustentabilidade financeira continua a ser um desafio. A companhia reconhece que grande parte do trabalho é desenvolvido gratuitamente pelos seus membros e procura apoios mais duradouros. Para 2027, pretende aprofundar a ligação às aldeias, criar um coro e reforçar a actividade radiofónica.


