Machetes | 23-08-2026 10:00

Motorista lançou autocarro contra hospital de Tomar para evitar mais vítimas

Motorista lançou autocarro contra hospital de Tomar para evitar mais vítimas
O autocarro embateu contra o Hospital Nossa Senhora da Graça, em Tomar, depois de o motorista ter perdido o controlo da viatura - foto DR

Condutor do autocarro que se despistou em Tomar terá escolhido embater no edifício hospitalar depois de perder o controlo da viatura, numa tentativa de não atingir carros e peões. Autocarro continua selado pela polícia e aguarda peritagem, enquanto o inquérito permanece sem conclusões.

O motorista do autocarro dos Transportes Urbanos de Tomar (TUTomar) que se despistou a 4 de Agosto e embateu contra o Hospital Nossa Senhora da Graça terá direccionado deliberadamente a viatura contra o edifício depois de perder o controlo, numa tentativa de evitar atingir automóveis e peões que se encontravam na via pública. Ao que O MIRANTE apurou junto de fontes ligadas ao processo, perante a impossibilidade de controlar o autocarro e o risco de a viatura continuar desgovernada numa zona com circulação de pessoas e automóveis, o motorista terá optado pelo embate no edifício hospitalar como forma de tentar travar o veículo e reduzir as consequências do despiste. “Tentou evitar que houvesse vítimas, mas acabou por não conseguir”, disse a O MIRANTE fonte ligada ao processo.
O inquérito continua em curso e ainda não foram determinadas as causas, humanas ou mecânicas, que levaram o motorista a perder o controlo do autocarro. O veículo encontra-se no parque da Rodoviária do Tejo, em Torres Novas, selado pela polícia e à espera que sejam realizados os trabalhos de peritagem. O MIRANTE sabe que a empresa aguarda a intervenção das autoridades para, posteriormente, realizar também uma análise própria através de peritos externos. “Também faremos a nossa análise”, adiantou fonte da empresa a O MIRANTE, sublinhando que é necessário perceber exactamente o que aconteceu nos momentos que antecederam o despiste e se existiu alguma anomalia mecânica ou outra circunstância que possa ter contribuído para o acidente.

Motorista está de baixa médica
O condutor tem 56 anos, trabalha há cerca de seis anos para a empresa e já exercia a profissão de motorista de autocarros antes de ingressar na actual operadora. Sofreu ferimentos ligeiros no acidente e teve alta hospitalar no próprio dia. Foi de imediato referenciado para acompanhamento psicológico, que continua a ser assegurado através da seguradora da empresa, encontrando-se ainda de baixa médica. A empresa responsável pelo serviço é a RMTejo II, subsidiária detida pela Rodoviária do Tejo e responsável pela operação da marca MEIO – Para Andar no Médio Tejo. A empresa assegura o serviço rodoviário regular de passageiros nos 13 concelhos da área da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, incluindo os transportes urbanos de Tomar.

Acidente vitimou Maria de Fátima Costa
Maria de Fátima Costa, de 64 anos, não resistiu aos ferimentos na sequência do acidente. A passageira era viúva e mãe de seis filhos. Outras duas mulheres que seguiam no autocarro sofreram ferimentos graves e foram transportadas para o Hospital de Abrantes. Nos dias seguintes ao acidente encontravam-se estáveis e fora de perigo de vida. Uma das vítimas é prestadora de serviços naquele hospital. As respostas para saber o que provocou a perda de controlo do autocarro e qual a dinâmica exacta dos segundos que antecederam o embate continuam agora dependentes das perícias ao veículo e das conclusões do inquérito.

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