200 escuteiros trocaram os ecrãs pelo convívio e pela entreajuda em Azambuja
O pavilhão municipal de Azambuja recebeu cerca de 200 escuteiros num fim-de-semana em que os jogos, a partilha de experiências e a descoberta de novas amizades falaram mais alto do que os telemóveis e os videojogos. Organizado pelos escuteiros de Vila Nova da Rainha, o JOTA-JOTI voltou a mostrar a importância do escutismo na formação de crianças e jovens.
Aprender a trabalhar em equipa, respeitar as diferenças, ajudar quem está ao lado e ganhar autonomia foram alguns dos desafios lançados aos cerca de 200 escuteiros que participaram em mais uma edição do JOTA-JOTI, organizada pelo grupo de Vila Nova da Rainha, no concelho de Azambuja. Durante um fim-de-semana, o pavilhão municipal de Azambuja transformou-se num espaço de encontro entre crianças e jovens de diferentes localidades, com jogos, actividades educativas e momentos de convívio. A iniciativa reuniu escuteiros provenientes de vários pontos do país, incluindo Cartaxo, Alvalade, Amadora, Charneca da Caparica, Santo António dos Cavaleiros, Buraca e Glória do Ribatejo.
A preparação começou cerca de dois meses antes e o encontro acabou por ganhar uma dimensão superior à inicialmente prevista. A adesão de vários agrupamentos obrigou a organização a reforçar a logística, distribuir responsabilidades e encontrar soluções para garantir que todos os participantes tinham actividades ao longo do dia. Mas, para quem organiza, o esforço compensa quando se percebe aquilo que os mais novos levam para casa. O objectivo é proporcionar experiências que contribuam para o crescimento pessoal, criem laços entre escuteiros de diferentes regiões e deixem aprendizagens que ultrapassem os limites do pavilhão.
O programa foi construído com a colaboração dos grupos participantes, cabendo a cada um preparar jogos e desafios. Entre as actividades estiveram propostas ligadas à comunicação, jogos tradicionais, demonstrações com meios de emergência e um pequeno curso de primeiros socorros destinado aos mais novos. Um dos desafios passou pela aprendizagem de noções de língua gestual, numa actividade preparada para sensibilizar os participantes para as dificuldades de comunicação enfrentadas por outras pessoas e para a importância de uma sociedade mais inclusiva. O contacto com os bombeiros e com equipamentos de emergência permitiu também aproximar os jovens de realidades que nem sempre fazem parte do seu dia-a-dia.
Maria Pinto, uma das chefes dos escuteiros de Vila Nova da Rainha, conhece bem o impacto destas experiências no crescimento das crianças. Chegou ao escutismo em 2023, por influência dos filhos, e encontrou no movimento uma forma de promover valores que considera essenciais para a formação dos mais novos. A autonomia é uma das aprendizagens que mais destaca. Longe da protecção permanente da família, as crianças são desafiadas a cuidar dos seus pertences, a organizar as suas rotinas, a resolver pequenos problemas e a relacionar-se com pessoas que não conhecem. São gestos aparentemente simples, mas que ajudam a desenvolver a responsabilidade e a confiança.
Poucos chefes e muito trabalho
Por detrás dos jogos e dos momentos de diversão está um trabalho que começa muito antes da chegada dos participantes. Preparar refeições, montar espaços, organizar actividades, garantir a segurança e acompanhar dezenas de crianças exigem disponibilidade, planeamento e muitas horas de dedicação. Bruno Pinto reconhece que a falta de chefes é uma das principais limitações do grupo de Vila Nova da Rainha. A vontade de receber mais escuteiros existe, mas o crescimento da iniciativa depende da capacidade de assegurar uma organização que responda às necessidades de todos. O envolvimento dos pais e a colaboração de entidades públicas e empresas locais acabam por ser fundamentais para concretizar o encontro.
A Câmara de Azambuja e a Junta de Freguesia de Vila Nova da Rainha estão entre as entidades que apoiam a iniciativa, a par de empresas da região, como o Intermarché, que contribuem para aliviar os encargos da organização. Para Ana Silva, também responsável pelo grupo, o cansaço acumulado ao longo da preparação e realização do encontro acaba por ser compensado pela satisfação de ver tantas crianças e jovens envolvidos nas actividades. A ambição é dar continuidade ao JOTA-JOTI e, caso existam condições humanas e logísticas, alargar a participação nas próximas edições.


