Identidade Profissional | 05-03-2024 10:00

Duplicar linha de comboio em VFX vai prejudicar zona ribeirinha

Duplicar linha de comboio em VFX vai prejudicar zona ribeirinha
TRÊS DIMENSÕES
Renato Rosinha é contabilista em Vila Franca de Xira e tira-o do sério a desonestidade

Renato Rosinha, 50 anos, é um contabilista apaixonado pela área desde criança e que diz ter o raro privilégio de fazer o que gosta. Não se vê num futuro próximo como autarca e teme que a duplicação da linha de comboio do norte vá desfigurar a zona ribeirinha de Vila Franca de Xira. É filho de Maria da Luz Rosinha, histórica socialista de quem diz ter orgulho no trabalho que realizou na Câmara de Vila Franca de Xira.

Nem sei como sobrevivemos com tanta brincadeira nas ruas quando éramos novos. Tenho as melhores memórias de crescer em VFX. A terra era diferente, sobretudo em termos sociais, porque em termos arquitectónicos pouco mudou. Era um ambiente de proximidade, toda a gente conhecia toda a gente e convivia-se mais. Havia uma sensação de comunidade e segurança completamente diferente de hoje. Durante muitos anos fui escuteiro, desde os nove anos até estar na faculdade, e nessa altura fazíamos de tudo. Aos nove anos já tinha uma faca que hoje seria completamente ilegal (risos).
Tira-me do sério a desonestidade. É um constrangimento para a relação entre as pessoas em sociedade e devíamos colectivamente tentar melhorar esse aspecto que nos prejudica a todos. Um sintoma disso são os casos a que vamos assistindo, em que a justiça parece não funcionar nem defender quem deve ser protegido. Gostava de confiar na justiça e ela é precisa para vivermos em comunidade, mas a justiça deveria dar melhores provas de que é confiável.
Um dia feliz tem de ter sol, contactos positivos no trabalho com os clientes e estar descontraído com a minha família. Um dia feliz é poder deitar-me sem preocupações porque por vezes o trabalho tira-me o sono. Hoje trabalhamos com máquinas e perdeu-se um pouco da relação humana que havia, quer dos prestadores de serviços quer da administração fiscal. É tudo no computador e ele nem sempre atende às especificidades das questões. Tenho tido muitas felicidades ao longo da vida. Sou casado, tenho dois filhos, tenho os meus pais bem de saúde e isso faz-me feliz.
Ser filho da Maria da Luz Rosinha é motivo de orgulho e de alegria. Reconheço e oiço de muita gente que ela teve imenso mérito na transformação do concelho durante os seus mandatos. Não serei a melhor pessoa para avaliar mas tenho imenso orgulho do que foi conseguido e da forma como foi alcançado. Nunca pensei ser autarca. O exercício de funções públicas deve ser encarado com muita responsabilidade e com grande sentido de missão. Tive a experiência de saber quão exigente foi para a minha mãe o exercício do cargo e é uma decisão que deve reunir muitas condições além das políticas. Ninguém imagina o trabalho de um presidente de câmara, além das horas visíveis de gabinete, se ele quiser levar o trabalho por diante.
Nunca pedi favores à minha mãe. O modo como ela esteve no exercício das suas funções nem me permitiria sequer achar que seria possível ou aceitável pedir-lhe favores fosse para o que fosse. É uma questão que nunca se pôs. Muita gente a dada altura, porque não me conhecia, achava que era funcionário da câmara, coisa que nunca fui. Correm histórias de que fui fornecedor da câmara, coisa que também nunca fui nem seria. Mas sempre vivi bem com isso e sem necessitar desses favores.
A Contaxira foi fundada pelo meu pai em 1979 e ele ainda continua no activo. Mais tarde, quando iniciei os estudos em contabilidade, comecei a ajudá-lo e depois tornámo-nos colegas. A contabilidade foi logo a minha primeira escolha. As opções que fui fazendo ao longo do liceu sempre foram para a área das ciências económicas e empresariais. Tenho o privilégio de fazer o que gosto. Estamos focados no serviço de apoio contabilístico às empresas, quer na contabilidade e fiscalidade quer no aconselhamento e dando apoio na gestão e processamento de salários. A nossa actividade tem pressupostos éticos muito vincados. A confiança nossa e do cliente são o mais importante, o rigor e a honestidade têm de estar sempre presentes.
Aos nove anos decidi que não iria querer ser socialista. A minha mãe é uma destacada militante do PS mas o meu pai foi um dos fundadores do PPD-PSD por isso em casa sempre tive um ambiente plural que me permitiu fazer essa análise e ter sentido crítico. A decisão foi tomada num dia em que disse à minha mãe que não a iria acompanhar a uma festa campera que o PS fazia e às quais tinha ido sempre desde que andava a pé. Nessa festa, quando notaram a minha ausência, o na altura secretário-geral do PS escreveu-me uma nota muito simpática, que ainda conservo, em que se despedia com um “abraço apartidário do Mário Soares”. É uma história engraçada mas que não me demoveu da minha convicção social-democrata.
O David Pato Ferreira tem mostrado uma grande capacidade de entender os problemas e muita vontade de fazer as alterações para que a vida no concelho de VFX seja melhor. Tem um desafio adicional porque o PSD em VFX não tem ainda o reconhecimento que o possa levar a melhores resultados. Mas o trabalho do David é francamente positivo. O que mais devíamos valorizar no concelho hoje em dia para potenciar a nossa qualidade de vida é o que mais está ameaçado com a possível duplicação da linha de comboio, que vai provocar uma cicatriz definitiva na zona ribeirinha. Estamos a sacrificar uma comunidade a favor de uma infraestrutura e isso não faz sentido.
Entre campo e praia fico muito dividido. São experiências diferentes. Gosto de velejar. Não tenho ambições em velejar em solitário através do Atlântico e para isso teria de escolher uma tripulação competente (risos). Também gosto de passeios todo o terreno mas sobretudo de vela de cruzeiro que é uma coisa relaxante. Gosto muito de ler e é um hábito que desde pequeno incuti nos meus filhos. É um hábito que se devia incentivar porque não é substituível nem pela net nem pela TV.

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