Machetes | 07-07-2026 12:00

Câmara de Coruche trava verbas para passadiços e reforça protecção civil

Câmara de Coruche trava verbas para passadiços e reforça protecção civil

Revisão às Grandes Opções do Plano foi aprovada por maioria, com quatro abstenções, depois de uma discussão em que o executivo de gestão socialista defendeu a necessidade de reavaliar o projecto e a oposição alertou para anos de promessas e para eventuais consequências jurídicas.

O executivo da Câmara de Coruche aprovou a segunda revisão às Grandes Opções do Plano 2026/2030, numa proposta que retira as verbas previstas para os Passadiços do Sorraia e cria duas rubricas para a aquisição de uma viatura de desencarceramento, equipamentos e para a melhoria das instalações da Protecção Civil Municipal.
A alteração foi apresentada em reunião de câmara pelo presidente, Nuno Azevedo (PS), que justificou a decisão com a necessidade de reforçar a área da protecção e socorro, mas também com dúvidas técnicas sobre o projecto dos passadiços, agravadas pelo que se verificou durante o último Inverno. Segundo o autarca, a intervenção nos Passadiços do Sorraia foi “despriorizada”, mas não cancelada. A câmara pretende reanalisar o projecto e perceber se existem soluções técnicas ou alternativas que permitam avançar com um investimento durável e ajustado às características da zona.
O presidente referiu que a expectativa inicial era que os passadiços fossem construídos a uma cota semelhante à da Estrada Nacional 114, mas que a Infraestruturas de Portugal não autorizou a construção no talude, obrigando a deslocar o traçado para dentro dos campos, em zonas mais baixas e vulneráveis. Acrescentou ainda que há questões patrimoniais e jurídicas por resolver, nomeadamente relacionadas com parcelas e registos.
A explicação não afastou as críticas da oposição. O vereador Francisco Gaspar (PSD) considerou que os passadiços foram, durante anos, uma “bandeira” do município que agora “acaba de cair”. O vereador reconheceu como positiva a aposta no reforço de meios para os bombeiros e para a Protecção Civil, mas lamentou que deixe de estar prevista uma solução que, no seu entender, podia ajudar a retirar peões da circulação junto ao trânsito, em especial em períodos de maior afluência. Questionou por que razão só agora são conhecidas condicionantes relativas à zona de implantação do projecto, depois de o tema ter sido sucessivamente inscrito nos orçamentos municipais.
Também o movimento independente Volta Coruche contestou a retirada de verbas anteriormente afectas aos Passadiços do Sorraia, apesar de manifestar concordância com o reforço de investimento na protecção civil. O vereador Dionísio Mendes considerou que o projecto foi apresentado durante anos pelo PS como uma intervenção estratégica para o concelho, associada à valorização turística, ambiental e económica do território. Dionísio Mendes estranhou que o risco de cheias surja agora como argumento para colocar em causa a concretização da obra, defendendo que esse era um factor conhecido desde o início do processo.
Durante a discussão, Osvaldo Ferreira, também vereador do Volta Coruche, alertou para eventuais consequências jurídicas da situação, caso o procedimento de contratação pública esteja numa fase avançada. O eleito independente referiu que uma decisão de não adjudicação poderá, em determinadas circunstâncias, obrigar o município a indemnizar concorrentes pelos encargos suportados com a preparação e apresentação das propostas.
Nuno Azevedo respondeu que a câmara irá avaliar essa possibilidade com os serviços. O presidente insistiu que o município não desistiu dos Passadiços do Sorraia, mas entende que manter a verba inscrita, quando o projecto carece ainda de reavaliação técnica e de resolução de problemas patrimoniais, não seria a melhor opção. Na votação, a revisão às Grandes Opções do Plano foi aprovada por maioria, com quatro abstenções dos eleitos do PSD e do Movimento Volta Coruche.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias