Sociedade | 23-05-2020 07:00

Creches reabrem com pouca afluência, sapatos à porta e máscaras nos rostos 

Creches reabrem com pouca afluência, sapatos à porta e máscaras nos rostos 

As crianças estão de volta às creches. Os pais ficam à porta, trocam-se os sapatos e desmistifica-se o medo das máscaras nas caras das educadoras e auxiliares. Impossível é manter o distanciamento social.

A reabertura das creches, depois de dois meses de encerramento envolve um misto de sensações. As gargalhadas e brincadeiras trazem de volta a normalidade, assim como as “rotinas que são estruturantes na vida de uma criança”. Mas no meio de uma pandemia e com tantas regras de higienização levadas ao extremo são poucas as crianças esperadas nas primeiras semanas, diz Sandra Freitas, educadora de infância na Fundação Cebi, em Alverca do Ribatejo. No primeiro dia esta creche funcionou com apenas 20 das 200 crianças inscritas. Um número que não surpreendeu, já que todos os pais foram contactados no sentido de informar sobre a data de regresso dos filhos e conhecer as novas regras.


Os brinquedos de casa não entram na instituição, faz-se uma medição da temperatura à chegada, troca-se a roupa e os sapatos e desinfecta-se com maior frequência o material didático. Nada disto parece importar aos mais pequenos, ao contrário das máscaras e viseiras nos rostos das educadoras e auxiliares. “Assustam-se, choram, mas à medida que o tempo vai passando vão ficando menos reactivos a este novo instrumento de trabalho”, conta a educadora, no dia da reabertura.


Em Santarém, na creche O Meu Pequeno Mundo, a sócia-gerente Fátima Duarte destaca ainda os choros provocados por uma outra medida implementada: os pais terem que ficar à porta. “Normalmente entravam e levavam-nos à sala. Agora isso não é possível”, diz. Também nesta creche o número de crianças foi reduzido no primeiro dia, com a entrada de apenas oito das 35 inscritas.

Distanciamento social é impossível de cumprir

Quando o colo e os afectos fazem parte da rotina numa creche torna-se impossível cumprir o distanciamento social. “As crianças vão interagir da mesma maneira, vão-se abraçar, beijar e correr para tocar na educadora. O contacto físico não se consegue evitar, nem podia”, refere Goreti David, coordenadora pedagógica na Fundação Cebi.


O que também não se consegue evitar são as brincadeiras e a vontade de brincar. No dia do regresso tal era a expectativa de voltar a brincar com os colegas que Francisca, de dois anos, correu para dentro da creche sem trocar de sapatos. Uma nova regra à qual vai ter de se habituar sempre que entrar na creche do Centro Social do Pego, em Abrantes, onde a entrada de crianças foi surgindo a conta-gotas.


Segundo Duarte Costa, director técnico, das 35 crianças inscritas apareceram apenas cinco e pelas impressões que troca com os pais vai ser preciso esperar até 1 de Junho para que o número possa subir. “No dia 1 creio que vamos ter 50 por cento das crianças. Penso que só depois de se perceber como o país está a reagir ao desconfinamento é que os pais vão começar a confiar”, refere.


Nesta primeira fase o número reduzido de crianças acaba por facilitar a adaptação à nova realidade e servir como preparação para 1 de Junho, data apontada para a reabertura do pré-escolar e esperada uma maior afluência às creches. Nessa altura, explica Goreti David, os planos de contingência vão ter de ser reformulados porque vai haver mais crianças. “Agora estão divididas em pequenos grupos por vários espaços. Temos uma área de recreio para cada faixa etária”, refere, notando que daqui a 15 dias a realidade vai ser outra.


Este 18 de Maio vai ficar marcado como um dia que pôs à prova a capacidade de adaptação das creches e como um teste à confiança dos pais. Ana Moutinho, mãe de Maria e Santiago, que frequentam a creche do Pego, encarou este regresso com tranquilidade. “É muito complicado ter duas crianças pequenas e não poder sair com elas. É importante retomarem as rotinas”, confessa, acrescentando que os filhos já estavam saturados de estar em casa.

Testes inconclusivos mantêm creche do Cartaxo de portas fechadas

Nem todas as creches reabriram a 18 de Maio. Em algumas os resultados aos testes de diagnóstico à Covid-19, que todas cumpriram, obrigaram a manter as portas trancadas. No Jardim-de-Infância do Cartaxo, após alguns dos testes às funcionárias terem sido inconclusivos, a delegada de saúde decidiu que, por uma questão de prevenção, a creche não podia abrir. A Santa Casa da Misericórdia de Santarém foi uma das que optou por só começar a receber crianças a 1 de Junho.

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