Sociedade | 23-11-2022 16:35

Grupo comercial destrói chaminés históricas em Torres Novas e câmara embarga obra

Grupo comercial destrói chaminés históricas em Torres Novas e câmara embarga obra
As chaminés da antiga Fábrica António Alves eram uma marca na paisagem. Foram demolidas para a instalação de uma superficie comercial do Intermarché

Duas chaminés da antiga Fábrica António Alves foram demolidas sem autorização do município de Torres Novas no âmbito das obras em curso para instalação no local de um novo supermercado na cidade. Durante a manhã de hoje e já depois do fecho da edição em papel de O MIRANTE o executivo decidiu embargar a obra.

Empresa justifica medida com o perigo real e iminente de derrocada.

O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, considera “socialmente chocante” a demolição das duas chaminés da antiga Fábrica António Alves, no âmbito das obras em curso para instalação no local de um novo supermercado Intermarché na cidade. A gerência do Intermarché de Torres Novas diz que a intenção era preservar aquele património e que a demolição aconteceu apenas em último recurso, dado o risco de derrocada “real e iminente” das chaminés. A empresa divulgou fotos em que se notam fendas na estrutura em tijolo.
Em comunicado difundido na manhã de domingo, 20 de Novembro, o presidente da Câmara de Torres Novas revelou que a demolição dessas estruturas não estava prevista no projecto e que “os serviços de urbanismo não foram receptores até esta data de qualquer projecto de demolição”, pelo que o município “irá analisar técnica e juridicamente as consequências derivadas desta inesperada e socialmente chocante demolição”.
Pedro Ferreira informou que a Câmara de Torres Novas foi confrontada no sábado, dia 19 de Novembro, com a operação de demolição das duas chaminés, “que simbolizavam historicamente a existência naquele espaço da antiga Fábrica António Alves”. O autarca refere que “as duas chaminés faziam parte do projecto da obra em curso, para instalação do novo Intermarché, pormenor que deverá ser respeitado”.
A gerência do Intermarché de Torres Novas refere que tinha intenção de preservar as chaminés, mas que o acentuado estado de degradação das mesmas precipitou a sua demolição. Menciona que as estruturas apresentavam uma incorrigível perda de verticalidade, visível a olho nu, fendas estruturais ao longo do fuste, danos na coroa e deterioração muito significativa do material que as constitui, entre outras anomalias, que acentuavam o risco de acidente. Daí que, sustentada em estudos e pareceres técnicos que irão apresentar ao município, tenha decidido pela demolição.
A empresa conclui o comunicado dizendo que, em conjunto com o município e os serviços competentes, irá estudar “uma forma adequada de preservar a memória histórica daquela que também é a nossa cidade”.

Câmara de Torres Novas embarga obra

No dia do fecho desta edição, o executivo da Câmara de Torres Novas reuniu e decidiu embargar as obras do novo Intermarché. A revelação foi feita esta tarde por Pedro Ferreira, presidente da autarquia.

"Tenho no meu gabinete um despacho para embargar a obra, que vou assinar", revelou o presidente, acrescentando; "vai haver um processo de contra-ordenação sobre o que aconteceu", vincou.

A demolição das duas chaminés da antiga fábrica "Alves das Lãs" deixou Pedro Ferreira "extremamente incomodado". "Era impensável porque as duas chaminés estavam perfeitamente enquadráveis na obra a desenvolver, nunca pensei que as fossem demolir", confessou o líder da autarquia.

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