Sociedade | 03-12-2022 12:00

Há cada vez mais rapazes vítimas de violência no namoro

Há cada vez mais rapazes vítimas de violência no namoro
Marta Godinho, da APAV de Santarém, esteve em Benavente a alertar os mais novos para os perigos da violência no namoro

Palestra em Benavente assinalou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres mas a grande novidade foi a confirmação que há cada vez mais rapazes a precisar de ajuda.

Está a aumentar o número de homens, jovens e adultos, que procuram ajuda na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) de Santarém por estarem a ser vítimas de violência no namoro. A novidade foi deixada por Marta Godinho, técnica da APAV de Santarém, durante uma palestra realizada no Cine-Teatro de Benavente para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. “Quem nos procura mais são as vítimas do sexo feminino, mas começamos a ter cada vez mais homens e rapazes a chegarem-se à frente e a procurar ajuda. Não sei se é por haver uma mudança de mentalidades, mas ainda bem que assim é porque conseguimos também ajudar os homens e rapazes que precisam”, explica a O MIRANTE.
Controlar a roupa, as amizades, fazer ameaças, dar pontapés ou empurrões são alguns dos sinais que podem indicar ou sinalizar formas de violência numa relação. Novas tendências de abuso, como o ciberstalking e o sexting, foram também apresentadas à plateia juvenil. No ciberstalking o principal objectivo é tentar o contacto ou a aproximação a alguém através de assédio permanente pelos meios digitais. O comportamento insistente e controlador é o que caracteriza o cyberstalking, um fenómeno com tendência a agravar-se.
Já o sexting é a troca de conteúdos sexuais ou explícitos através de mensagens escritas, fotos, vídeos e videochamadas. Para este caso a técnica apelou à reflexão antes da partilha dos conteúdos pois muitas vezes os parceiros acabam por partilhar os conteúdos com outros sem o seu consentimento. “No sexting o início pode até ser excitante e compensador, mas há que ter em conta que os parceiros podem partilhar esses conteúdos com outras pessoas sem a vossa autorização. Estejam atentos e protejam-se, coloquem-se no lugar do outro e tenham empatia”, apelou.

Alertar e pedir ajuda
Na violência no namoro podem acontecer várias formas de violência como a física, verbal, psicológica, relacional e sexual. “A violência no namoro está dentro da violência doméstica, que é um crime. O apelo é que as pessoas que têm conhecimento destes casos falem e denunciem. O mais importante é falar”, sublinha Marta Godinho. A vergonha, falta de apoio, esperança na mudança do comportamento do agressor e medo das consequências de uma separação são os principais entraves para que as vítimas peçam ajuda. O mais importante é que os amigos e família mostrem preocupação com o bem-estar da vítima, façam entender que a vítima não tem culpa, sejam bons ouvintes e estejam realmente presentes quando a vítima precisa.
“É muito importante pedir ajuda, seja na escola com os directores de turma, directores da escola, os gabinetes de psicologia ou de orientação, falem com os vossos pais, denunciem às autoridades policiais ou contactem a APAV. Se for uma situação de perigo iminente liguem para o 112”, alerta a técnica.

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