Número de passageiros nos aeroportos nacionais não pára de crescer
Portugal continua a somar passageiros nos aeroportos e, nesta altura, já não se trata apenas de recuperar os níveis anteriores à pandemia.
Portugal continua a somar passageiros nos aeroportos e, nesta altura, já não se trata apenas de recuperar os níveis anteriores à pandemia. Em 2025, os dez aeroportos da rede ANA movimentaram cerca de 72,5 milhões de passageiros, mais 4,7% do que em 2024, quando tinham sido registados 69,2 milhões. Em 2026, a tendência manteve-se: entre janeiro e julho, o tráfego voltou a crescer cerca de 2,4% e só em julho passaram pelos aeroportos portugueses aproximadamente 7,7 milhões de pessoas. São números que ajudam o turismo, as companhias e a economia, mas também tornam mais frequentes os problemas associados a uma rede cada vez mais pressionada: filas, alterações operacionais, ligações perdidas ou simplesmente um voo atrasado.
É sobretudo em Lisboa que essa pressão se torna mais visível. O Aeroporto Humberto Delgado continua a receber praticamente metade de todos os passageiros da rede ANA e opera num contexto em que aumentar a capacidade já não é simples. Quanto mais movimentos existem, maior é também a probabilidade de perturbações se propagarem ao longo do dia, sobretudo nas horas de maior procura em que uma situação como uma indemnização atraso voo pode acontecer. Daí que os direitos dos passageiros tenham também ganho maior visibilidade, incluindo questões relacionadas com os de 2025 mostram bem a diferença de escala entre aeroportos. Lisboa fechou o ano com cerca de 36,1 milhões de passageiros, uma subida de 2,9%. O Porto chegou aos 16,9 milhões, crescendo aproximadamente 6,3%, enquanto Faro superou pela primeira vez a barreira dos dez milhões, atingindo cerca de 10,4 milhões de passageiros, mais 5,8% do que no ano anterior.
Juntos, Lisboa, Porto e Faro representam perto de 87% de todo o movimento da rede ANA. No extremo oposto está Beja, que continua a ter uma utilização quase residual: pouco mais de três mil passageiros durante todo o ano de 2025. É provavelmente o contraste mais estranho do sistema aeroportuário português: um país onde alguns terminais procuram espaço para absorver mais procura e outro permanece praticamente vazio.
Nas regiões autónomas, o crescimento também é expressivo. Os aeroportos da Madeira e de Porto Santo receberam, em conjunto, cerca de 5,65 milhões de passageiros em 2025, mais 11,8% do que no ano anterior. O Aeroporto da Madeira aproximou-se dos 5,4 milhões, enquanto Porto Santo ficou perto dos 257 mil passageiros.
Nos Açores, os quatro aeroportos geridos pela ANA (Ponta Delgada, Horta, Santa Maria e Flores) somaram aproximadamente 3,36 milhões de passageiros. Ponta Delgada concentra naturalmente a maior fatia, com cerca de 2,8 milhões de embarques e desembarques, seguido da Horta, com pouco mais de 300 mil. Santa Maria rondou os 126 mil e Flores ultrapassou os 100 mil.
O problema é que Lisboa continua a crescer enquanto a solução estrutural permanece a vários anos de distância. O futuro Aeroporto Luís de Camões, no Campo de Tiro de Alcochete, deverá começar a operar a partir de 2035, segundo o calendário atualmente previsto.
O projeto apresentado em 2026 aponta para uma capacidade inicial de cerca de 56 milhões de passageiros por ano. Numa primeira fase, o aeroporto deverá ter duas pistas, 64 portas de embarque, 72 pontes de embarque em contacto e um terminal com aproximadamente 500 mil metros quadrados. A infraestrutura foi, porém, pensada para crescer: a capacidade poderá chegar aos 85 milhões de passageiros anuais numa fase posterior.
Portugal está, portanto, numa situação curiosa. O crescimento do tráfego aéreo é um sinal evidente de procura pelo país e de maior conectividade internacional. Mas cada novo recorde também torna mais clara a falta de margem do sistema atual. Até Alcochete estar operacional, a questão não será apenas quantos passageiros Portugal consegue atrair. Será quantos consegue transportar sem que o crescimento comece a degradar a experiência de quem passa pelos aeroportos.


