Economia | 13-10-2019 07:00

Empresa de pizzas do Porto Alto pede insolvência ao fim de ano e meio parada

Empresa de pizzas do Porto Alto pede insolvência ao fim de ano e meio parada

A primeira fábrica de pizzas refrigeradas do país, que recebeu apoios do Estado para se instalar, não chegou a estar um ano a funcionar e agora, depois de ano e meio parada, pediu a insolvência, que já foi declarada pelo Tribunal do Comércio de Santarém.

A Brieftime - Indústria de Comércio de Produtos Alimentares S.A., empresa que abriu no Porto Alto (Benavente) a primeira fábrica de pizzas refrigeradas do país, foi declarada insolvente a 23 de Setembro pelo Tribunal do Comércio de Santarém. A insolvência vem pôr fim ao Plano Especial de Revitalização (PER) iniciado em 2018 que se revelou uma tentativa fracassada de salvamento da fábrica, que tinha recebido fundos comunitários para a sua constituição. Na altura em que pediu o PER, a fábrica ainda não estava a trabalhar há um ano e a empresa tinha dívidas de 6,6 milhões de euros.

Os credores têm, a partir da data de declaração da insolvência, 30 dias para reclamar os créditos que devem ser endereçados ao administrador nomeado, a quem cabe apresentar um plano de insolvência. A declaração de insolvência surge numa altura em que os administradores da empresa têm à perna o proprietário do armazém onde instalaram a unidade fabril entretanto abandonada. Tal como O MIRANTE tem vindo a noticiar, Sérgio Matos tem denunciado o estado calamitoso em que as instalações se encontram, com alimentos a apodrecer no interior e exigido aos responsáveis da Brieftime a limpeza e desinfecção do local.

As dificuldades financeiras começaram a surgir praticamente desde o início da comercialização, obrigando a administração a recorrer ao PER em Agosto de 2018 - um processo previsto na lei aplicável a empresas em situação económica difícil ou situação de insolvência iminente, para tentar reduzir a dívida com os seus principais credores. A fábrica já tinha cessado actividade em Janeiro de 2018, atirando meia centena de funcionários para o desemprego, com salários e subsídios em atraso.

Entre os maiores credores envolvidos neste plano de revitalização estavam a Caixa Geral de Depósitos, com um crédito reclamado de um milhão de euros, o Millennium BCP, com 220 mil euros, e a Caixa Económica Montepio Geral, com 238 mil euros. Nas dívidas ao Estado era ainda reclamado um montante de 43 mil euros pelo Instituto da Segurança Social.

A Brieftime tinha chegado ao Porto Alto afirmando-se como grande promessa para a criação de postos de trabalho e estreante no mercado nacional das pizzas refrigeradas que estava por explorar. A inauguração, em Outubro de 2017, teve a presença do então ministro da Economia, Caldeira Cabral. Na altura, Pedro Teixeira, um dos cinco administradores da Brieftime, referia que a empresa estava a entrar num nicho de mercado que valia 30 milhões de euros.

A instalação da fábrica foi paga com apoios nacionais e europeus na ordem dos 3,8 milhões de euros do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Em poucos meses já tinha acumulado um passivo de cerca de 830 mil euros. Chegou a produzir quatro mil pizzas por hora e a entrar na rede de distribuição para gigantes como a Sonae, Dia de Portugal e Dia de Espanha. É esta última rede de hipermercados uma das causas apontadas pela Brieftime para o cenário negro que se instaurou, devido à “total incapacidade de cumprir os prazos de pagamento acordados”, referiu a empresa em documento dirigido ao Tribunal Judicial da Comarca de Santarém, quando avançou com o pedido do PER.

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