A COVID-19 teve um impacto gigantesco na economia. Devido à paralisação do comércio, confinamento e outras medidas adotadas pelos Estados afetados pela pandemia, houve consequências diretas e imediatas no valor das ações e outras áreas de investimento similares. Um dos sectores que mais se ressentiu foi o petrolífero, tendo em consideração que preço do petróleo nos mercados financeiros caiu abruptamente, chegando a valores impensáveis e só vistos há inúmeras décadas.
Mas não foi apenas a COVID-19 por si que foi responsável por esta queda, a paralisação de fábricas, da aviação e outros transportes no geral, fez com que os principais países exportadores de petróleo tentassem chegar a um acordo sobre cortes no fornecimento, de forma a evitar uma queda ainda maior do preço do barril. A Rússia não concordou com estas medidas e, a Arábia Saudita como resposta, inundou o mercado com um volume magnânimo de petróleo e cortes no preço para os clientes mais leais. Como resultado, o barril chegou a ser negociado a $7.23 dólares, enquanto no início do ano o seu valor rondava os $60 dólares.
O cidadão comum, que não observe atentamente o escopo da questão, olha para este cenário com grande entusiasmo, tendo em consideração que cada vez que atesta o seu veículo repara que o preço do combustível é substancialmente menor. Será que o consumidor final tem alguma vantagem nesta descida de preço? No imediato, sim, mas a longo prazo as consequências poderão trazer tempos difíceis para todos. Já não vivemos numa época de economias estanques, os efeitos económicos são globais, principalmente quando estão em causa matérias-primas tão universais como o ouro negro.
Estes valores já estão a ter efeitos devastadores na economia de outros países exportadores, como é o caso da Venezuela e Angola. Angola, por exemplo, tem mais de metade da sua economia alicerçada no valor do petróleo, entenda-se, baseou o seu Orçamento Geral de Estado em 64% de valores provenientes de transações petrolíferas. Claro está, esta descida completamente devastadora terá consequências negativas para esta nação Africana, bem como, para todas as economias que dependam das suas importações e exportações. Portugal, que tem relações comerciais fortes e essenciais com Angola, já sente fortemente os efeitos da crise em análise, tendo em consideração que a GALP, como consequência desta crise petrolífera, viu as suas ações desvalorizar 16,62%. Mas não foi apenas a GALP a ser afetada por esta situação atípica, tendo em consideração que a 9 de março de 2020 o PSI 20 fechou com uma perdas de 8,66% e, posteriormente, no dia 12 do mesmo mês, 9,76%, a maior queda desde o início de 2020.
Felizmente, no final de mês de maio de 2020, verificamos que o preço do barril já oscila entre os $30,00 e $35,00 dólares. Embora sejam sinais positivos de recuperação, o valor ainda está bastante longe do espectável para este produto. Estima-se que com o fim do confinamento, reabertura de fábricas, comércio de rua, bem como o regresso à normalidade nos aeroportos e transportes no geral, que o barril progressivamente recupere com o seu valor, paralelamente com os restantes setores relevantes para a economia. Não obstante, ainda teremos de avaliar qual será o impacto real das quedas verificadas durante o mês de março, e quais as consequências para as economias mais frágeis.


