Economia | 26-10-2020 12:30

Dois terços dos rendimentos mensais de algumas famílias são para pagar dívidas

Deco diz que situação vai piorar com fim das moratórias de crédito.

Segundo dados da delegação de Santarém da associação de defesa dos consumidores, os dados do Distrito relativos ao sobreendividamento estão apenas ligeiramente abaixo da média nacional.

A taxa de esforço média das famílias sobre endividadas do distrito de Santarém, apoiadas pela Deco desde início da pandemia situava-se no final de Setembro nos 76%, um valor considerado preocupante mas, mesmo assim, um pouco abaixo da média nacional (80%) das famílias que solicitaram apoio ao Gabinete de Protecção Financeira da associação de defesa dos consumidores.

De acordo com os dados daquele gabinete, considerando o período de 18 de Março (véspera da declaração do estado de emergência em Portugal) até 30 de Setembro, as famílias de Santarém tinham, em média, prestações mensais de crédito de 950 euros e rendimentos líquidos de 1.245 euros (880 euros para rendimentos de 1.100 euros a nível nacional).

Aquela situação representa um agravamento face a 30 de Junho, em que a taxa de esforço se situava nos 75%, em resultado de prestações médias mensais de crédito de 750 euros e rendimentos líquidos de 1.000 euros.

Segundo a responsável pelo Gabinete de Protecção Financeira (GPF) da Deco, Natália Nunes, a taxa de esforço de 80 por cento a nível nacional, é contabilizada sem os créditos que estão a ser objecto de moratória, pública ou privada, no âmbito da pandemia de Covid-19, o que vai agravar muito a situação daquelas famílias na altura em que tiverem que os começar a pagar.

Para a Deco, esta situação justifica que se pense “numa medida alternativa”, sendo que a associação “desde o início defendeu que não fazia sentido criar uma moratória legal apenas para o crédito hipotecário e para o crédito à habitação”, mas antes uma moratória que “deveria incluir todos os créditos”.

“Porque, em bom rigor, as responsabilidades dos consumidores dizem respeito ao crédito à habitação, aos créditos pessoais e aos cartões de crédito, pelo que, se tivesse sido contemplada uma medida global, possivelmente as famílias não teriam os problemas que vão começar a ter a partir deste mês”, sustenta Natália Nunes.

Segundo os dados divulgados a 15 de Outubro, a perda de rendimentos, o desemprego, a doença e o divórcio/separação são as três principais causas das dificuldades financeiras dos 1.017 processos de intervenção (através dos quais é dado apoio na renegociação de dívidas, entre outras medidas) que deram entrada na Deco entre 18 de Março e 30 de Setembro, com um peso de 29%, 25%, 19% e 11%, respectivamente.

A maioria das situações afecta trabalhadores do sector privado (43%), sendo 22% do sector público, 19% desempregados, 9% trabalhadores por conta própria e 7% reformados.

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