Economia | 26-09-2022 14:59

Um dia a vindimar e pisar uvas na Companhia das Lezírias

Um dia a vindimar e pisar uvas na Companhia das Lezírias

A empresa agrícola do Estado recebe em Setembro grupos de visitantes para experimentarem a sensação da vindima e de pisar as uvas, num momento que também é de aquisição de conhecimentos sobre a produção de vinho e de curiosidades como a de os solos onde estão as vinhas já terem estado debaixo de água do mar.

Andre Rolankov e a mulher Tatiana Grygorenko são ucranianos a viver em Portugal há 12 anos e no sábado, 17 de Setembro, experimentaram pela primeira vez fazer a vindima na adega de Catapereiro, na Companhia das Lezírias, em Samora Correia, que está a proporcionar um dia diferente a colher as uvas, a pisá-las e a provar o vinho da empresa do Estado. O casal vive na Moita e tem uma pequena vinha no terreno e a participação nesta iniciativa foi motivada pela vontade de aprenderem mais sobre a viticultura e a produção de vinho. Ela, médica do trabalho, já está habituada à agricultura porque desenvolve a sua profissão essencialmente neste sector no Ribatejo e no Alentejo.
O casal estava integrado num grupo de 30 pessoas, muitas delas da grande Lisboa, que vindimaram cerca de 700 quilos de uva sob orientação do enólogo David Ferreira, que explicou que a Companhia tem cerca de 130 hectares de vinhas de várias castas, como Alicante Bouschet, Touriga Nacional ou Fernão Pires. Os participantes ficaram também a saber que uma máquina de vindimar equivale a um rancho de 100 pessoas num dia de trabalho. Depois das explicações na loja do vinho, seguiu-se para a vinha a poucos metros onde a enóloga Catarina Rodrigues distribuiu as tesouras e David Ferreira explicou a técnica de cortar os cachos sem magoar os dedos.
Numa das carreiras Maribel Cascão e duas colegas da empresa que organiza viagens de estudantes MBA, Joana Lourenço e Márcia Mendes, vão enchendo a caixa que lhes foi entregue. Todas gostam muito de vinho e sobretudo português, considerando que os melhores são os nossos e não os franceses como dizem. Já tinham levado alunos a estas experiências turísticas da Companhia e desta vez resolveram participar, tendo sido das mais entusiastas a pisar as uvas em grandes celhas de madeira, sentindo os bagos a abrir debaixo dos pés e entre os dedos, ao som de uma música instrumental tranquilizadora.
Depois da visita à adega e das explicações sobre a produção de vinho, os participantes provaram, na loja da adega, os vários néctares, mas também o mosto de vinho branco que parecia um xarope doce com uma textura de pequeninos grãos de açúcar e que teve de ser congelado para ser consumido antes de entrar em fermentação. Quando há crianças é o que se lhes dá a beber porque como ainda não fermentou não tem álcool. Prova-se um rosé fresco. A obsessão dos enólogos pelo vinho rosé é a cor, explica David Ferreira enquanto mostra num ecrã as várias tonalidades do vinho.
Antes do almoço, entre barris cheios de vinho a estagiar, explica-se o porquê de uma das marcas de vinho da Companhia das Lezírias ser Tyto Alba. É o nome científico da coruja das torres que anda por aquelas bandas aproveitando uma área ambientalmente sustentável e que pratica uma agricultura amiga do ambiente. O enólogo conta que há 15 espécies de corujas na imensidão do território em que uma parte é classificada como Rede Natura 2000 e outra está inserida na Reserva Natural do Estuário do Tejo.
O nome da zona onde está a adega, entre Porto Alto e Alcochete, chama-se Herdade de Catapereiro, que é a designação de uma pereira brava. O dia não termina sem outras curiosidades. A vinha está numa zona de charneca e não é por acaso, é porque apesar dos terrenos serem menos produtivos é onde as videiras dão melhor vinho. São os solos mais recentes de charneca, em comparação com outros como os de Almeirim, porque só têm 15 mil anos, uma vez que estiveram debaixo da água do mar.

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