Economia | 25-12-2022 15:00

Banda Operária Torrejana sonha com o regresso à Fábrica da Fiação de Torres Novas

Banda Operária Torrejana sonha com o regresso à Fábrica da Fiação de Torres Novas
Banda Operária Torrejana conta com 149 anos de existência

Com a aquisição da Fábrica de Fiação por parte do município de Torres Novas, o sonho da actual direcção, presidida por Rosário Nalha, passa por fazer regressar a banda à casa que lhe deu nome. Banda Operária Torrejana celebrou o seu 149º aniversário.

A Banda Operária Torrejana (BOT) celebrou no domingo, 11 de Dezembro, o seu 149.º aniversário. A Igreja de S. Pedro, em Torres Novas, recebeu durante a tarde o concerto alusivo à data, depois de uma celebração religiosa. A colectividade começou por se chamar Banda Filarmónica, mas nos finais do Século XIX, atravessando a sua primeira grande crise, foi resgatada pela Companhia Nacional de Fiação e Tecidos de Torres Novas, que lhe deu apoio e viabilidade.
Rosário Nalha é a actual presidente e explica que, em 1918, dois operários músicos, pretendendo uma existência autónoma, entregaram a colectividade ao banco Montepio, rompendo com a instituição financeira três anos depois. Foi o período mais complicado da associação, só resolvido com um segundo resgate: Joaquim Alexandre Inácio, figura tutelar da filarmónica, entregou a banda pela segunda vez à Fábrica de Fiação no ano de 1943.
Rosário Nalha conta que a associação funciona como escola de música de segunda a sábado, tendo neste momento cerca de 40 alunos. “Vim para a banda em 2010 a convite do agora vereador Joaquim Cabral e saí em 2019, quando era presidente da assembleia-geral”, conta a O MIRANTE, revelando que regressou para assumir a presidência da direcção em 2021. “Contactei pessoas da minha confiança para formar uma lista e fomos os únicos que concorremos às eleições”, revela.
As maiores dificuldades da colectividade continuam a ser de nível financeiro. “A nossa sede funciona bem e tem sempre a presença de pessoas, mas é preciso uma entrega total que acaba por ser desgastante”, confessa a presidente, agradecida a toda a sua equipa e em especial ao maestro Pedro Correia: “se não fosse o maestro a escola não seria o que é hoje. A escola de música tinha três ou quatro alunos e funcionava só ao sábado, era outra realidade. Agora temos outra dinâmica”, vinca.
Com a recente aquisição da Fábrica de Fiação por parte do município, o sonho da actual direcção passa por fazer regressar a banda à casa que lhe deu nome. Foi esse o pedido de Rosário Nalha numa recente reunião pública da câmara. “É um projecto para daqui a 10 ou 15 anos, mas ficou registada a nossa intenção. Espero que, com este executivo ou com o próximo, as coisas não fiquem na gaveta e que nós e outras associações tirem partido daquele espaço”, afirma a presidente, relembrando que a actual sede situada no Palácio D. Manuel, junto à antiga Praça do Peixe, não tem condições. “Chove aqui dentro e isso estraga os instrumentos e as paredes. A câmara diz que não tem orçamento para reparar o telhado”, conta Rosário Nalha.
Para além da escola de música e das apresentações em concerto, a Banda Operária Torrejana desenvolve neste momento um projecto em parceria com a União das freguesias de Torres Novas (Santa Maria, Salvador e Santiago) que visa descentralizar e levar música às aldeias já a partir de Janeiro. “As pessoas que vivem nas aldeias não têm facilidade em vir até à cidade, é uma iniciativa dedicada à comunidade sénior. Passa por levar um professor até aos mais velhos para que tenham aulas”, descreve a O MIRANTE Rosário Nalha.

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