Dirigentes e autarcas querem combater sazonalidade do turismo no interior

A Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte realizou um workshop em Ferreira do Zêzere com o tema “Floresta, Água, Turismo Náutico e Desenvolvimento Sustentável dos Territórios do Interior”.
A ADIRN (Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Norte) organizou a 31 de Janeiro, na Casa do Adro Hotel, em Ferreira do Zêzere, um workshop com o tema “Floresta, Água, Turismo Náutico e Desenvolvimento Sustentável dos Territórios do Interior”. Com sala cheia, a sessão de abertura contou com Bruno Gomes, presidente do município de Ferreira do Zêzere, que apresentou os principais objectivos da iniciativa ao lado de Jorge Rodrigues, coordenador da ADIRN.
Considerando que “o turismo é parte muito importante para Ferreira do Zêzere”, Bruno Gomes admitiu que ainda há muito a fazer, queixando-se de uma “sobreposição de estratégias” que faz com que os resultados no concelho sejam inferiores aos de outras regiões do país. “Andamos há anos a tentar instalar mais infra-estruturas junto ao rio que padece de condicionantes por força de abastecer de água Lisboa. Temos centenas de barcos ao fim-de-semana e eu tenho uma única entrada e saída oficial para que um simples barco possa entrar no rio”, exemplificou.
Jorge Rodrigues destacou de seguida a urgência em combater a sazonalidade, considerando que é preciso investir no turismo do Interior, em especial na época baixa, ou seja, fora da época de Verão. “Em Julho e Agosto temos a albufeira de Castelo do Bode em ‘overbooking’, mas nesta altura do ano temos poucas pessoas e isso traduz-se em problemas, tanto na fidelização de recursos humanos de cada uma das unidades hoteleiras como nas dificuldades de rentabilização dos investimentos”, analisou Jorge Rodrigues, apontando sugestões para reduzir a sazonalidade, como a criação de uma grande rota do Castelo de Bode e também de pequenas rotas suplementares. “Algumas já existem, como é o caso de Ferreira do Zêzere”, disse o coordenador da ADIRN, defendendo “eventos emblemáticos fora de época, que promovam a sustentabilidade e que possam servir como ferramenta de comunicação”.
Marco Rosa Santos, do Núcleo Sub-Regional do Médio Tejo do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) orientou a palestra sobre a floresta envolvente da albufeira do Castelo de Bode, incêndios e o seu impacto na qualidade da água, seguido por Eunice Lopes, do Instituto Politécnico de Tomar, que apresentou o e-book “Turismo Náutico: A gestão sustentável dos recursos hídrico-fluviais, culturais e naturais”. Depois de um “buffet” dinâmico, composto por especialidades do Ribatejo Norte, a tarde contou com a presença de Pedro Machado, presidente da Entidade Regional Turismo do Centro, António Correia, da Fórum Oceano, Paula Bártolo, da Turismo de Portugal e Miguel Sanches, da Biosphere Portugal. Debateram-se os impactos do turismo náutico e a estratégia para o mesmo. No final, houve prova de chás e infusões produzidos nas “Encostas do Castelo do Bode”.