Autarca de Azambuja defende necessidade de modernização no comércio local
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Presidente da Câmara de Azambuja disse durante um debate sobre o futuro do comércio em Azambuja que a falta de modernização justifica, em parte, as quebras registadas no comércio local.
O presidente da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, defendeu a necessidade de modernização do comércio local para que os estabelecimentos consigam competir com as grandes superfícies. “Reconheço que em função da pandemia e deste não alinhamento das pessoas em modernizarem-se o comércio local tenha tido retrações”, disse o autarca socialista que falava no debate “Que Futuro Para o Comércio Local em Azambuja” organizado pelo Coletivo Perene.
Questionado pelo moderador Miguel Duarte sobre a entrada de um quarto hipermercado no concelho de Azambuja, e para o qual a autarquia aprovou o reconhecimento de Interesse Público Municipal, Silvino Lúcio respondeu que a decisão final é um procedimento que tem que dar entrada no Ministério de Economia e Ministério da Agricultura, uma vez que o terreno é zona de reserva agrícola.
O autarca referiu ainda que não é a câmara municipal que realiza os estudos de mercado para a viabilidade da instalação de hipermercados no concelho e que para já - porque falta os ministérios pronunciarem-se sobre o projecto - “não há certezas” de que o hipermercado se vá instalar em Azambuja, próximo de um outro já existente.
Por sua vez, Jorge Pisco, da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas, alertou que “a palavra final [para a instalação de uma grande superfície] não é do município” mas dando este luz verde os ministérios só têm que acrescentar o “carimbo”. Ainda sobre os hipermercados, o dirigente associativo considera que têm um impacto “enorme” no comércio local que, por sua vez, tem tendência a desaparecer. “É a realidade que vivemos de norte a sul do país”, salientou.
Quanto ao argumento da necessidade de modernização deixado pelo presidente da câmara, Jorge Pisco alertou para a falta de linhas de apoio disponíveis para que os comerciantes possam investir sem ficarem com a corda ao pescoço. “O PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) não tem um único apoio para micro e pequenas empresas”, assim como o Portugal 2020 e o Portugal 2030, lamentou.
Recorde-se que alguns comerciantes de Azambuja queixaram-se do impacto negativo para o negócio causado pelas obras nas principais ruas da vila para o negócio. O município assumiu recompensar os comerciantes afectados, tendo para o efeito aprovado a abertura de um procedimento para a elaboração de um projecto de Regulamento do Fundo Financeiro de Apoio ao Comércio Local, enquadrado no Plano de Acção de Regeneração Urbana de Azambuja.