Economia | 12-04-2023 07:00

Burocracia empata investimento de 29 milhões em Alcanede

Burocracia empata investimento de 29 milhões em Alcanede
Eliseu Frazão é o fundador da Fravizel que há anos tenta ampliar as suas instalações em Pé da Pedreira, Alcanede, concelho de Santarém, mas não consegue devido a entraves burocráticos

Fravizel quer ampliar as suas instalações para construir uma nova unidade de fabrico de maquinaria na Zona de Desenvolvimento Económico de Alcanede.

Empresa está há anos à espera que sejam desbloqueadas as condicionantes que impedem a construção nos lotes que comprou à Câmara de Santarém. Projecto é financiado pelo PRR, pelo que o tempo urge.

A empresa Fravizel anda há anos a tentar ampliar as suas instalações na Zona de Desenvolvimento Económico de Alcanede, em Pé da Pedreira, mas entraves burocráticos têm impedido a concretização do investimento que ronda os 29 milhões de euros. O objectivo é criar uma nova unidade de fabricação de maquinaria para diversos fins.
Os terrenos em causa, vendidos à empresa pela Câmara de Santarém, têm condicionantes à construção por parte se encontrar em zona de Reserva Ecológica Nacional (REN). A solução deve passar pela publicação da nova delimitação da área do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) - que se prevê para breve - e da revisão do Plano Director Municipal (PDM) de Santarém, que também está na fase final. A conclusão desses processos permitirá a desafectação da área necessária para construção, mas não é fácil prever um prazo em concreto para que o processo de licenciamento das obras tenha condições para ser aprovado.
E entretanto o tempo urge, até porque o projecto conta com financiamento aprovado da União Europeia através do Plano de Recuperação e Resiliência, o famoso PRR. É por isso que Eliseu Frazão, fundador e dono da Fravizel, não se cansa de criticar a burocracia que condiciona o investimento no tecido produtivo e que o leva a pedir celeridade nos procedimentos das diversas entidades envolvidas.

“Fico completamente baralhado em relação às decisões que o país toma”

“Nós transformamos aço, aplicamos componentes e fabricamos máquinas para vários países do mundo. E estamos bloqueados em relação à ampliação das instalações, com mais de um ano de atraso... Mas o processo tem anos de atraso em relação à ampliação da zona industrial, para podermos construir à volta de 14 mil metros quadrados. Temos máquinas a chegar e não temos condições para as montar lá. E apesar de todo o esforço político local que tem sido feito a verdade é que não tenho o problema resolvido”, disse Eliseu Frazão aos jornalistas durante uma visita à sua fábrica, no dia 30 de Março, promovida pela Câmara de Santarém no âmbito da primeira Feira da Educação e do Empreendedorismo (ver outro texto nesta edição).
O empresário não poupa o que considera as contradições de algumas entidades públicas que tutelam o licenciamento de projectos. “Vejo montar coisas em sítios errados e vejo uma zona industrial onde não se pode fazer indústria. Fico completamente baralhado em relação às decisões que o país toma. Acho que o nosso país está cheio de indefinições. As pessoas gastam o tempo sem ser a resolver os problemas concretos do país, que é saber onde se pode fazer o quê”, lamenta o empresário.
A Câmara de Santarém tem estado a trabalhar no sentido de resolver o problema. Além de ter vendido os lotes à Fravizel, a revisão do PDM, actualmente em fase de discussão pública, abre portas ao licenciamento do projecto de ampliação. Mas é difícil dizer quando, em concreto. E a urgência de certos investimentos não se compadece, muitas vezes, com a morosidade dos procedimentos burocráticos.

Uma empresa familiar que não tem parado de crescer

A Fravizel foi fundada em Novembro de 1998, em Pé da Pedreira, por Eliseu Frazão, empresário que continua à frente do negócio, acompanhado pelas suas três filhas, Filipa, Inês e Joana. A empresa dedica-se ao fabrico e venda de máquinas, componentes e acessórios para diversas actividades, como construção civil, extracção de pedra, minas, portos ou exploração florestal. Cria e desenvolve produtos com recurso a alta tecnologias e mão-de-obra qualificada, em boa parte composta por jovens até aos 30 anos.

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