Economia | 01-09-2023 10:00

No Mercado de Tomar o que mais importa é a qualidade e a proximidade com o cliente

No Mercado de Tomar o que mais importa é a qualidade e a proximidade com o cliente
Ana Duarte vende flores no mercado há cerca de 24 anos. Amélia Vicente tem 82 anos e vende diariamente legumes, leguminosas e fruta na sua banca. O casal José Costa e Sónia Silva são os novos peixeiros no Mercado Municipal de Tomar

Numa época em que a afluência às grandes superfícies supera o pequeno comércio, os comerciantes do Mercado Municipal de Tomar lutam pela valorização dos seus negócios. O MIRANTE conversou com três comerciantes que oferecem dinâmica a um espaço histórico da cidade nabantina.

Os comerciantes do Mercado Municipal de Tomar esforçam-se para manter a tradição e qualidade dos produtos, apesar da actual preferência da comunidade pela comodidade e rapidez das grandes superfícies comerciais. A opinião é de José Costa, 55 anos, que, juntamente com a esposa, Sónia Silva, trabalham na peixaria do mercado todos os dias, com excepção do domingo e segunda. Natural de Sintra, José Costa encontrou em Tomar a calma que procurava para se afastar da agitação da restauração onde trabalhou a maior parte da sua vida. Há cinco anos decidiu arriscar e mudou-se para o concelho de Tomar para abrir o negócio “Peixe da Costa”. A ideia surgiu em conversa com amigos devido à percepção de que a oferta de peixe fresco era escassa, numa zona algo afastada do mar. José dedicou-se durante dois meses a aprender e dominar a arte de escolher, preparar e vender peixe. Começou a jornada a vender peixe porta-a-porta no concelho até ter uma banca no mercado, onde está há quatro meses. Sónia Silva percebeu o potencial do negócio e decidiu dedicar-se a aprender o ofício há um mês.
O dia de trabalho de José começa às 22h00, altura em que viaja cerca de 300 quilómetros para comprar peixe nas lotas nacionais, como a de Lisboa, Peniche, Figueira da Foz e Nazaré. Regressa a casa às 04h00 para às 08h00 ter a banca no mercado pronta para as vendas. O trabalho só termina às 16h00 após as entregas ao domicílio. O peixeiro continua a estudar e a aprimorar os seus conhecimentos sobre o peixe para conseguir evoluir, considerando o novo ofício mais interessante do que a restauração. “Devia de ter começado mais cedo”, confessa a O MIRANTE, destacando a importância do relacionamento de proximidade com os clientes, a honestidade no trabalho e a qualidade do peixe.
O casal está a expandir o seu negócio através dos meios digitais com uma loja online e uma peixaria no Entroncamento. O objectivo é inovar, crescer e diversificar a oferta proporcionando mais comodidade e facilidade aos clientes. “Não queremos ser mais um, temos de primar pela diferença e qualidade”, vinca.

A prata da casa
Aos 82 anos Amélia Vicente é vendedora de legumes, leguminosas e fruta provenientes da sua horta. A comerciante recorda a primeira vez que chegou ao mercado numa carroça puxada por uma mula com o seu pai que vendia cereais. Os seus pais eram proprietários da antiga Mercearia do Galego, nas Curvaceiras, concelho de Tomar, onde trabalhou durante os sete até aos 65 anos quando decidiu reformar-se. Começou a plantar a sua horta e decidiu abrir a própria banca no mercado da cidade, sendo que só vende diariamente há sete anos.
Todos os dias acorda às cinco da madrugada. Conduz até ao mercado para atender as clientes e à tarde vai para horta regar e apanhar os produtos, que leva até casa de bicicleta, para o mercado do dia seguinte. Amélia conta que antigamente os mercados estavam cheios desde que abriam até fecharem, hoje em dia “é uma miséria” por causa das grandes superfícies. No entanto, o amor pela tradição e o convívio com as pessoas ajudam Amélia a enfrentar o dia-a-dia.
Ana Duarte, 58 anos, partilha o comércio de flores com o marido no Mercado Municipal de Tomar e Ourém, mas também em eventos como casamentos e baptizados. Começou a trabalhar numa estufa de flores em Tomar, aos 17 anos, onde conheceu o seu actual marido. Apesar do pouco interesse pelas flores, tinha o objectivo de ganhar independência para sair da aldeia e viver na cidade de Tomar. Aos 23 anos, casou e cumpriu o objectivo com o seu marido. Mais tarde, abriram o próprio negócio e começaram a vender flores no mercado há cerca de 24 anos. A preferência dos clientes são as margaridas, mas Ana admite que ao fim de tantos anos a trabalhar com flores, não as consegue ter em casa.

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