Economia | 06-04-2024 21:00

Pais queixam-se que o dentista é caro mas deixam expirar os cheques-dentista

Pais queixam-se que o dentista é caro mas deixam expirar os cheques-dentista
Carina Monteiro insiste com os pais para estarem atentos à higiene oral dos filhos

Pais devem apostar na prevenção e levar os filhos ao dentista a partir dos três anos. O conselho é de Carina Monteiro, odontopediatra no Forte da Casa, que esteve à conversa com O MIRANTE a propósito da saúde oral dos mais pequenos.

Cheques-dentista ainda são pouco usados apesar do número de utilizadores ter vindo a subir anualmente. “A nossa educação ainda não está focada na prevenção da doença”, afirma Carina Monteiro, odontopediatra, que lamenta o número de crianças que se senta na cadeira de dentista com cáries, algumas com dois e três anos de idade. Em Portugal a maior parte das pessoas opta por fazer tratamentos dentários em vez de agir preventivamente, ao contrário de outros países da Europa. “Sou rigorosa na higiene e falo muito com os pais. Quando dizem que o dentista é caro eu respondo que o que é caro é não fazer prevenção. Se os pais fizerem prevenção é barato vir ao dentista”, afirma a O MIRANTE.
A taxa de tratamentos preventivos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentou mais de 10% nos últimos seis anos, segundo dados divulgados pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) no Dia Mundial da Saúde Oral, que se assinala a 20 de Março. No ano passado registou-se a diminuição dos tratamentos curativos realizados através de cheques-dentista em crianças e jovens dos sete aos 13 anos, com mais de 70% de tratamentos preventivos realizados.
O PNPSO - Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral - emitiu 635.260 cheques dentista em 2023 abrangendo 428.353 utentes. O número de referenciações emitidas em 2023 para consulta de medicina dentária foi o mais alto de sempre tendo sido utilizadas 26.496. Também a referenciação para consultas de higiene oral subiu face a 2022.
Apesar dos dados Carina Monteiro diz que a maioria dos pais não usa cheques-dentista e deixam passar o prazo. “Acredito que a maioria das pessoas gostava de ter mais ajuda financeira para os tratamentos dentários mas depois deixam o cheque-dentista na gaveta. Alguma coisa não está bem”, vinca.
Por outro lado ainda existe um caminho a percorrer para tornar a medicina oral mais acessível. Os dentistas trabalham para o Estado a recibos verdes e com material obsoleto. “Lembro-me que quando acabei o curso fui ao centro de saúde para trabalhar e o material estava completamente ultrapassado e a cadeira a cair de podre. Nestas condições os pacientes só têm hipótese de ir ao particular”, afirma.

Higiene começa no primeiro dente
A saúde começa na boca. Desde o momento em que nasce o primeiro dente, entre os quatro e os 14 meses, devem ser lavados. As pessoas deviam visitar o dentista quando não têm nenhuma queixa principal. “Entre os três e os quatro anos as crianças devem ir ao dentista para se ambientarem. Peço-lhes sempre autorização para me deixarem ver a boca e vou ao ritmo deles. É preciso ter muita paciência para não ganharem medos”, explica.
Problemas nos dentes podem ser uma consequência do mau desenvolvimento de funções como a respiração, apneia, deglutição, fonética e mastigação. Isto explica porque é que algumas crianças têm problemas mesmo mantendo uma boa higiene oral e tendo uma alimentação saudável. “É assustador a quantidade de crianças que roncam e isto afecta os dentes porque entram bactérias. Quando as crianças têm boa higiene oral e têm cáries é um alerta para saber qual a causa dos problemas, que não são os mais óbvios”, frisa.

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