Economia | 09-03-2025 10:00

Trabalhadores da Nobre voltaram à greve depois de 17 paralisações em ano e meio

Sindicato voltou a convocar nova greve dos trabalhadores da Nobre, empresa de Rio Maior, depois de se terem realizado 17 greves em 2024. Empresa diz estar atenta às necessidades dos trabalhadores.

Os trabalhadores da Nobre Alimentação, em Rio Maior, estiveram em greve no dia 3 de Março, devido à recusa da empresa em negociar o caderno reivindicativo apesar das 17 jornadas de greve realizadas em 2024. A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos (SINTAB) após o último plenário em que decidiram a “intensificação da luta pelo direito à negociação do seu caderno reivindicativo”. O dirigente sindical do SINTAB responsável pelo processo, Diogo Lopes, disse à Lusa ter havido uma reunião com a administração da empresa, em que foi “apresentado o caderno reivindicativo para 2025”, mas a direcção da Nobre informou que “não está disponível este ano para qualquer negociação”.
A posição da empresa, localizada em Rio Maior, levou os trabalhadores a decidirem “dar continuidade à luta” que já tinham iniciado em Fevereiro de 2023 e que somou, até Dezembro de 2024, 17 greves. Os trabalhadores contestavam a falta de resposta ao caderno reivindicativo em que exigiam um aumento salarial de 150 euros, a valorização do subsídio de refeição e do trabalho nocturno, a implementação de diuturnidades, direito a 25 dias de férias e o fim do recurso à contratação precária, entre outras reivindicações.
No caderno reivindicativo para 2025 os trabalhadores mantêm o aumento salarial de 150 euros, mas reivindicam “um aumento superior no subsídio de alimentação e uma alteração no valor das diuturnidades, que a empresa tinha deixado de pagar em 2016, quando houve a caducidade do contrato e voltou a implementar o ano passado, mas não nos valores que deviam ser praticados”, explicou Diogo Lopes. De acordo com o sindicalista, os trabalhadores pretendem o aumento dos subsídios de refeição dos actuais 5,50 euros para oito euros e, no caso das diuturnidades um aumento de cerca de cinco euros. Em comunicado o sindicato acusou a administração da empresa de “transmitir aos trabalhadores informações erradas sobre o trabalho e a representatividade do SINTAB” e de ter decidido “negar o direito a crédito de horas às delegadas sindicais do SINTAB, assim como à dirigente da União dos Sindicatos de Santarém”. “Já foi pedido um parecer à Autoridade para as Condições do Trabalho [ACT]”, disse Diogo Lopes, admitindo que o sindicato deverá avançar com uma acção em tribunal.
Contactada pela agência Lusa, a Nobre Alimentação afirmou estar atenta “às necessidades” dos colaboradores e manter “reuniões frequentes e construtivas com os sindicatos para abordar as questões em causa de forma positiva e transparente”. Na resposta enviada por email a empresa reiterou o compromisso de “dar continuidade a este diálogo regular, procurando, em conjunto, encontrar o caminho mais equilibrado para o futuro”.

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