“Água, Agricultura e Sustentabilidade” deixa desafios para o futuro da sustentabilidade na agricultura
Para disseminar boas práticas relacionadas com o uso da água na agricultura, a TAGUS, juntamente com a ADER-AL e a APRODER, realizaram no dia 11 de março, no Parque Ambiental de Santa Margarida, em Constância, uma sessão de enceramento do projeto que se debruçou sobre esta temática.
Para disseminar boas práticas relacionadas com o uso da água na agricultura, a TAGUS, juntamente com a ADER-AL e a APRODER, realizaram no dia 11 de março, no Parque Ambiental de Santa Margarida, em Constância, uma sessão de enceramento do projeto que se debruçou sobre esta temática.
Esta reunião, participada por entidades públicas dos territórios do Ribatejo Interior, Ribatejo e Alto Alentejo, como a CCDR LVT, os Municípios, e por importantes agricultores dos territórios da parceria, marca o encerramento desta cooperação interterritorial “Água, Agricultura e Sustentabilidade”, no âmbito do PDR2020, do Portugal 2020, cofinanciado pelo FEADER.
O projeto tem por objetivo desenvolver e valorizar o tecido económico e social dos territórios rurais envolvidos, através da troca de experiências e de complementaridades sobre esta temática comum. Para tal, a parceria participou numa ação benchmarking à região de Fresno, na Califórnia, que produz um terço dos legumes consumidos nos Estados Unidos da América. Além da participação na World Ag Expo 2024, a comitiva teve oportunidade de conhecer o centro experimental e de certificação de equipamento de irrigação WET Center, o University of Califórnia Lindcove Research & Extension Center e a algumas explorações agrícolas com boas práticas nesta temática.
Já em outubro do ano passado, em Elvas, a parceria realizou uma conferência internacional, que para além de mesas-redondas com individualidades responsáveis na matéria a nível nacional, nomeadamente ex-governantes que apresentaram a sua visão e perspetivas futuras para combater a escassez de água e o uso ineficiente de recursos, particularmente na agricultura, esta iniciativa contou com uma apresentação sobre o modo como é feita a gestão dos recursos hídricos em Israel, país considerado bastante evoluído nessa gestão, em que Agência da Água tem a sua criação mais antiga que a fundação deste país, considerado o “pai da rega gota-a-gota”.
Também deste projeto resultou o estudo “Bases para a Gestão Eficiente da Água” que parte da caraterização do clima português (verões longos, quentes e secos, e invernos curtos, amenos e chuvosos), a precipitação anual que varia, sendo mais alta no noroeste e centro interior, e mais baixa no sul e regiões costeiras. As infraestruturas de retenção hídrica, como barragens e albufeiras, essenciais para garantir um fornecimento contínuo de água, especialmente nos períodos secos. Outras alternativas podem ser consideradas, tais como as interligações de bacias hidrográficas, a dessalinização ou mesmo o aproveitamento de águas residuais.
O estudo, também, carateriza a evolução do regadio em Portugal, em que é evidente o papel das inovações tecnológicas no contributo para a otimização do uso da água, tendo a área agrícola regada aumentado bastante, em 2019, com o Alentejo e o Ribatejo com maior superfície regada e também com bastante exposição aos desafios de escassez de água. A existência de apoios que fomentem o investimento e a adoção de novas soluções é um dos caminhos apontados como alternativas. A valorização de práticas de gestão eficiente da água, ao longo da cadeia agroalimentar, é outra das formas de acelerar a adoção tecnológica e garantir a gestão eficiente da água. A valorização de produtos alimentares, através da diferenciação de práticas agrícolas, é algo considerado pelo consumidor final e que pode beneficiar a cadeia agroalimentar como um todo. E por último, destaca a importância da gestão da água no contexto agrícola, devido às limitações de recursos e aos desafios apresentados pelas alterações climáticas.
Na reunião final do projeto, os agricultores levantaram questões essenciais, destacando a necessidade de monitorizar o uso da água nos projetos agrícolas apoiados. Além disso, sublinharam a importância de garantir que a eficiência hídrica e as preocupações ambientais não comprometam a sustentabilidade económica da agricultura. Por fim, realçaram a relevância da comunicação e sensibilização, tanto para valorizar o papel dos agricultores na gestão sustentável da água como para reforçar a perceção pública sobre a importância do setor.


