Nersant aceita deslocalização da Startup Santarém quando existir uma alternativa condigna
O Centro de Inovação Empresarial de Santarém, criado pela Nersant há dez anos na ala principal da antiga Escola Prática de Cavalaria, vai ter de mudar de casa. O município pretende instalar aí o Museu de Abril e dos Valores Universais e a associação empresarial está conformada com esse desfecho. O objectivo agora é encontrar um espaço alternativo para a incubadora de empresas.
A Câmara de Santarém anunciou que pretende instalar o Museu de Abril e dos Valores Universais (MAVU) no espaço onde actualmente funciona o Centro de Inovação Empresarial de Santarém (CIES) e a Startup Santarém da Nersant, no complexo da antiga Escola Prática de Cavalaria (EPC), mas o futuro da incubadora de empresas não parece estar em causa. O presidente do município, João Leite, já havia dito que a deslocalização da Startup estava a ser articulado com a Nersant e a associação empresarial está convicta que “a mudança só acontecerá quando existir um espaço alternativo com boas condições e que salvaguarde o funcionamento das empresas incubadas, sem rupturas nem interrupções no seu normal funcionamento”.
Contactado por O MIRANTE, o presidente da Nersant – Associação Empresarial da Região de Santarém confirmou que está a par das intenções do município e que compreende as razões invocadas. “Aceitamos esta opção, porque foi sempre claro que a deslocalização só avançaria com a garantia de um espaço alternativo, com boas condições de trabalho, que permita à Startup Santarém continuar a desempenhar o seu papel no apoio às empresas da região”, disse Rui Serrano, que recentemente ascendeu à liderança da Nersant, na sequência da renúncia do anterior presidente, Pedroso Leal.
Rui Serrano diz conhecer as soluções que estão a ser estudadas pelo município para relocalizar a Startup Santarém, acrescentando que nesta fase ainda é cedo para avaliar as soluções propostas pelo município, enquanto não houver uma decisão final. “Mas aquilo que vimos até agora são alternativas condignas e que permitem manter – e até reforçar – a actividade da Startup Santarém”, adianta.
O presidente da Nersant considera a Startup Santarém “uma peça central no ecossistema empresarial da região”, que pretende manter na capital de distrito. “Aliás, o objectivo é dar um passo em frente: melhorar condições, alargar o âmbito de actuação e continuar a ser uma porta de entrada para novas empresas e investimento na região”, complementou.
O contrato entre a Câmara de Santarém e a Nersant para ocupação das instalações da antiga EPC era de dez anos, expirando em 2026. Questionado sobre se irá haver renovação do contrato até estar definida a nova localização da Startup, Rui Serrano revelou que o assunto está a ser tratado. “O que importa garantir - e isso está claro entre ambas as partes - é que não haverá qualquer ‘salto no escuro’”, reiterou.
Startup Santarém acolhe 75 empresas
Segundo a Nersant, a Startup Santarém acolhe 75 empresas, entre incubação física, incubação virtual e projectos promovidos por empreendedores estrangeiros. Acolhe um tecido empresarial muito diverso, de vários sectores de actividade e com origem também fora de Portugal, o que confirma a atractividade deste pólo para a região, enfatizou Rui serrano.
Para além das empresas incubadas, funcionam na Startup Santarém os serviços de apoio ao empreendedorismo da Nersant para a Lezíria do Tejo, que acompanham a criação e o desenvolvimento de novos negócios, mesmo quando esses projectos não ficam incubados no espaço. Em Novembro de 2024 foi ainda instalada no CIES a Agência Invest Ribatejo que tem como missão promover e facilitar o investimento estrangeiro na região do Ribatejo.
Rui Serrano não tem dúvidas em afirmar que a Startup Santarém tem sido uma aposta ganha. “A Startup Santarém é hoje a maior incubadora do distrito de Santarém, é um activo que deve ser claramente valorizado e potenciado, quer pelo município, quer pelos restantes actores regionais”, disse. E para reforçar essa ideia recordou que, pouco tempo depois de abrir portas, foi necessário ampliar o espaço, duplicando o número de salas, porque a procura superou rapidamente a oferta. “Mais recentemente voltámos a adaptar áreas internas para incubação e coworking, e hoje a ocupação é praticamente total, o que confirma a relevância deste equipamento no ecossistema empresarial regional”, acrescentou.
Em jeito de balanço, concluiu referindo que, nos últimos 10 anos, os serviços de apoio ao empreendedorismo da Startup Santarém acompanharam mais de 2.000 ideias de negócio e contribuíram para a criação de mais de 400 empresas, que representam cerca de 700 postos de trabalho e mais de 30 milhões de euros de volume de negócios na região.


