Economia | 12-01-2026 07:00

Sector vitivinícola espera atingir mil milhões de euros em exportações já em 2026

Sector vitivinícola espera atingir mil milhões de euros em exportações já em 2026
Frederico Falcão, presidente da Viniportugal, é natural da Chamusca - foto O MIRANTE

Instituto da Vinha e do Vinho e Viniportugal destacam a notoriedade crescente dos vinhos portugueses nos mercados a nível mundial e estão optimistas em relação aos próximos anos.

O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) disse estar optimista quanto ao futuro do sector, acreditando ser possível atingir a meta dos 1.000 milhões de euros de exportações já em 2026. “Acredito que, ultrapassada um bocadinho esta incerteza do mercado mundial e estas dificuldades todas que têm a ver também com a geopolítica a nível mundial, 2026 seja o ano dos 1.000 milhões de euros de exportação. Em termos de litros, estamos a falar de cerca de 50% da produção nacional”, afiançou Francisco Toscano Rico, presidente do IVV, em declarações aos jornalistas.
Segundo Frederico Falcão, presidente da Viniportugal, a meta dos 1.000 mil milhões de euros deveria ter sido atingida até 2023, o que não se verificou, estando agora estabelecida a meta de 1,2 mil milhões de euros até 2030. “Estávamos em querer que esse valor dos 1.000 milhões de euros fosse atingido em 2025, não foi, e aqui há uma grande culpa dos Estados Unidos, pela instabilidade e redução que nos trouxeram, mas estamos confiantes que até 2030 vamos chegar aos 1,2 mil milhões de euros”, destacou o responsável, natural da Chamusca.
Contudo, para o presidente da associação interprofissional para a promoção internacional dos vinhos de Portugal, mais importante do que atingir esta meta é “trazer sustentabilidade económica para o sector”, o que passa por continuar a aumentar o preço de venda. “O sector tem aumentado os preços de venda dos vinhos portugueses todos os anos, portanto, temos vindo a crescer, ano após ano, no aumento do preço médio de exportação”, adiantou.
Com uma notoriedade crescente nos mercados a nível mundial, os países que mais importam vinho português são os Estados Unidos da América (EUA), Brasil, Reino Unido e França. Apesar de uma quebra generalizada no consumo de vinho, Portugal continua a resistir, o que leva o IVV a estar optimista quanto ao futuro do sector, apesar da “incerteza” que as tarifas americanas trouxeram ao mercado.
“Quando as regras não são claras, é natural que, quem está no negócio, se retraia e foi isso que aconteceu: os grandes importadores americanos retraíram-se naquilo que eram as suas encomendas ao exterior e Portugal, que exportava tanto [para os EUA], o [seu] principal mercado, ressentiu-se e não conseguiu recuperar até o final do ano [2025]”, disse o responsável do IVV.
Apesar de se ter registado “uma quebra importante” nas exportações para o mercado dos EUA, o presidente do IVV acredita que, estabilizadas as regras, apesar da penalização de 15%, estão reunidas as condições para um crescimento no próximo ano. “Vamos esperar, mas acreditamos que, pelos indicadores daquilo que é a venda ao consumidor final do vinho português, Portugal se está a destacar nos outros mercados. Portanto, há aqui um sinal de optimismo, que é um mercado a explorar, e é importante termos, de forma concertada, todas as regiões do país [a reforçar] a imagem de Portugal nesse mercado”, concluiu.

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