Economia | 07-02-2026 18:00

Do laboratório à fábrica: CTIC mostra como se faz o couro em Alcanena

Do laboratório à fábrica: CTIC mostra como se faz o couro em Alcanena
Encontro juntou representantes institucionais e agentes do sector dos curtumes para discutir prioridades e desafios futuros - foto O MIRANTE

Do laboratório à ETAR, a indústria do couro abriu as portas ao público para dar a conhecer processos, boas práticas ambientais e o papel estratégico de Alcanena num sector histórico que continua a reinventar-se.

A indústria dos curtumes de Alcanena esteve em destaque no dia 29 de Janeiro, numa manhã dedicada ao contacto directo com o sector do couro, através de uma visita técnica promovida pela Associação Portuguesa dos Industriais de Curtumes (APIC). A iniciativa passou pelo Centro Tecnológico das Indústrias do Couro (CTIC), pela Fábrica de Curtumes Ibéria e pelo sistema ambiental da vila, incluindo a ETAR e os aterros, culminando com a sessão de encerramento do projecto In-Leathers no Museu Municipal de Alcanena.
Durante a manhã, o enfoque esteve na apresentação do cluster do couro e no papel central do CTIC enquanto entidade de apoio técnico e científico à indústria. A directora-geral do centro, Ana Luís, explicou que a missão principal do CTIC passa por responder às necessidades do sector, sublinhando, no entanto, que a sustentabilidade da entidade obriga também à prestação de serviços e à aposta na formação a nível nacional. “O core business do CTIC é dar apoio à indústria, mas extrapolamos as nossas funções para outras áreas e muita gente, mesmo em Alcanena, não tem essa noção”, referiu.
A visita aos laboratórios permitiu conhecer de perto os ensaios realizados, com especial destaque para a análise de efluentes gasosos, área em que o CTIC é uma das poucas entidades acreditadas em Portugal, reforçando a importância da investigação e do controlo ambiental no sector. Na Fábrica de Curtumes Ibéria, os participantes acompanharam várias fases do processo produtivo do couro e observaram alguns dos produtos finais, num contacto directo com a realidade industrial e com os responsáveis no terreno, que esclareceram dúvidas e curiosidades ao longo do percurso.
O circuito terminou no Sistema de Alcanena, onde as soluções ambientais estiveram em evidência. O técnico de projectos da APIC, Gonçalo Santos, destacou o sistema de reciclagem de crómio, criado em Alcanena na década de 1980, lembrando tratar-se de um exemplo pioneiro de economia circular em Portugal, ao permitir a recuperação e reutilização dos banhos de crómio pelas próprias fábricas.

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